voltar à homepage do site
separadorseparadorseparadorseparadorseparador
 

Início  |  Fimseparador< anterior - Pag.3 / 7 - próxima >separadorir para a pag. 


  • Década de 70
  • "Gabriela" e "Cornélia" - prendas aos 20 anos
  • pag3

As duas boas razões do ano televisivo, na área do entretenimento, foram pois uma telenovela – a revelação absoluta; e um concurso – confirmativo de novas formas de espectáculo. Mas não parece justo deixar-se de fora um programa chamado “A Feira”, que se teve momentos menos bons (como algumas vezes sucedeu), o certo é que vingou junto do público de sábado à noite. Divertimento de música e humor, de que foram responsáveis Thilo Krasmann e Rui Ressurreição – desde há muito ligados ao espectáculo nas mais diversas formas, incluindo a televisiva – “A Feira” proporcionou a Ivone Silva selar o seu primeiro compromisso com os espectadores (antes, apenas passara, e brevemente, por um programa de Nicolau Breyner) e tanto ela como Joel Branco, outra revelação, dispuseram dos textos de César de Oliveira, um autor de revista que chegava à RTP cheio de ideias, capaz, sobretudo, de as trabalhar com técnica adequada ao pequeno ecrã e aos actores para quem escrevia. Rui Ressurreição não enjeitou certos pontos de contacto com “Nicolau no País das Maravilhas”, “apesar de não ter concurso nem aquela divisão esquemática que tinha o programa do Nicolau. Mas a ideia – o humor musical – continua a ser a mesma: serve-se bastantes vezes de quadros de revista que existiram e tiveram êxito e uma certa importância ou que ainda estão em cena. Cada programa tem uma ideia-base e uma ligação entre todas as intervenções. Esse trabalho é assegurado pela Ivone e pelo Joel.”9

A realização de Pedro Martins foi outro trunfo nos espectáculos de “A Feira”. Bem jogado, nos momentos certos. Porque é em programas como este que, mesmo um leigo, se apercebe como é determinante a intervenção do realizador. E, já agora, acrescentamos, da equipa técnica que o rodeia, já que realizar é trabalhar em equipa.

Das equipas de realização saem, geralmente, os realizadores da RTP. Não foi diferente o que se passou em 1977, quando um concurso interno levou às provas finais alguns assistentes de realização e duas anotadoras. “O lugar de assistente de realização é uma posição privilegiada para quem se queira, mais tarde, candidatar a realizador” – palavras de Nuno Teixeira, 1º classificado, à Grande Plano.10 E acrescentava: “Quando me foi dado escolher entre a realização de um teledramático ou de um musical recreativo, eu optei pelo segundo. Estava então muito em voga o grupo ‘A Banda do Casaco’. Trabalhei o espectáculo de forma até aí não explorada, que foi tentando contar uma história. O facto de ter feito esse programa e talvez também por ter trabalhado muito com o Luís Andrade, os programas que me iam dando para fazer eram quase sempre na área do recreativo.” Certo é que Nuno Teixeira iniciou então uma carreira como realizador em confronto permanente com grandes espectáculos musicais e de humor, em estúdio e auditório, e em telenovelas. Veremos, mais para a frente.

menu de artigos

"A Feira" - Joel Branco

"A Feira" - Eugénio Salvador

César de Oliveira (à esqª), autor dos textos de "A Feira" e de outros programas de grande êxito, aqui à conversa com o actor Paulo Renato

Um jovem realizador, Nuno Teixeira, em ensaio de câmaras


9 Tele Semana, 3.6.1977.

10 Revista da COOPTV, nº 15, Maio/Junho 1988. Entrevista conduzida por Conceição Lobo e Mário Rui de Castro.
Por não se considerar suficientemente apto, N. Teixeira não se apresentou a um anterior concurso para realizadores (1970), donde saíram Bento Pinto da França e Teresa Olga, a primeira mulher a ascender Ver maisa essa profissão na RTP. Continuou pois a trabalhar nas equipas de Alfredo Tropa e Luís Andrade e apresentou-se ao concurso seguinte que – segundo a Ordem de Serviço nº 86, de 14.10.1977 – “esteve paralisado, por vicissitudes várias, vindo a ser reatado em 1976. Ficou então decidido que a selecção deveria obedecer ao fim primordial de ‘enriquecer o núcleo de realização da RTP com uma nova geração de realizadores nos quais a imaginação criadora e a posse de uma razoável cultura geral sejam elementos predominantes’. A selecção dos candidatos fez-se através de várias provas e, no final, o júri (sua constituição: Hélder Mendes, Jorge Listopad e Augusto Abelaira) classificou os candidatos pela seguinte ordem: 1º - Nuno Teixeira, 2º - Rui Ramos, 3º - Adriano Nazareth Júnior, 4º - Ferrão Katzenstein, 5º - João Serradas Duarte, 6º - José Vitorio, 7º - Maria Cecília Neto, 8º - Hélder Duarte, 9º - Maria de Lurdes Carvalho, 10º - Luís Filipe Costa. Atendendo a esta classificação, entendeu-se proceder à admissão do 1º, 4º, 5º, 6º, 7º e 8º classificados para Lisboa e do 2º e 3º classificados para o Porto, conforme opções que na altura do concurso foram expressamente manifestadas pelos candidatos.” Voltar a fechar

diminuir letra aumentar letra Imprimir Enviar

< anterior | próxima >

Footer