voltar à homepage do site
separadorseparadorseparadorseparadorseparador
 

Início  |  Fimseparador< anterior - Pag.1 / 17 - próxima >separadorir para a pag. 


  • Década de 70
  • Tv nos Açores, aproximações à cor e consolidação da rede nacional
  • pag1

Nem todos o saberão, mas o certo é que se a Televisão chegou aos Açores mais cedo do que se previra (embora com 3 anos de atraso sobre a da Madeira), foi porque um homem muito se empenhou para que assim fosse – Ramalho Eanes. Com efeito, logo após assumir como Presidente da RTP, o então major Eanes pediu para a sua mesa todos os dossiês sobre o assunto, estudou-os, aconselhou-se com técnicos e autoridades insulares, determinou, enfim, que passassem à execução as obras apenas projectadas. Ganhou asas o entusiasmo posto nas tarefas e ainda no ano de 75, a 10 de Agosto, um domingo, via-se Televisão nos Açores, pela primeira vez.

Mas vale a pena ir anos atrás, a 1964, para nos certificarmos da existência de um estudo – aliás complementado com uma série de ensaios - levado a termo pelo engº João Paz, funcionário da RTP, e que visava já com alguma amplitude, a cobertura televisiva das ilhas. Não se conhecendo as razões que levaram à estagnação do projecto – embora se admita que terá sido a proverbial falta de verba, a mais importante – a verdade é que foi preciso esperar 6 anos para que alguém se lembrasse de retirar a poeira aos estudos e fizesse avançar, com alguma determinação, nova série de testes vários sobre o terreno, para ajuizar da viabilidade do empreendimento. O grupo de trabalho, que se instalara em S. Miguel, regressou a Lisboa e, com algum desânimo, viu os seus relatórios irem direitos para o fundo da gaveta. Em 1972, novo raio de esperança, quando se conheceu que o orçamento da RTP inscrevia uma dotação de 5 mil contos para o arranque da TV nos Açores. Ramiro Valadão, o Presidente da altura (ele próprio um açoreano, da Terceira), não poupava intenções de um breve alargamento das emissões da RTP à sua terra natal. Mas, pelo que se viu, não chegou a vontade e seriam os ventos da história que sopraram depois − os mesmos que o afastaram − a abrirem caminho frontal para a implantação da TV no arquipélago.1

28 de Janeiro de 1975 é a data a partir da qual todo o processo se torna irreversível. É quando Ramalho Eanes comunica ao governador Borges Coutinho que os trabalhos vão ser de tal modo incrementados que os Açores poderão contar com emissões de Televisão em meados do ano, provavelmente em Agosto. Como, aliás, sucederia. “Foi uma certa aventura que acabou por não correr mal”, lembraria, mais tarde, Nunes Marques, um dos engenheiros da RTP que mais se empenhou nos trabalhos e que seguiram, quase à risca, o delineado pelo engº João Paz, 10 anos antes. Com o equipamento técnico para emissores e antenas a vir da Alemanha poderia pensar-se em atrasos mas, se os houve, foram pontuais e superados. Dois emissores, um em Santa Bárbara (ilha Terceira) e outro na Barrosa (ilha de S. Miguel) deram à rede a necessária consistência. Cinco retransmissores, completavam-na: Salto do Cavalo - S. Miguel, Lomba do Fogo - Pico, Cume - Terceira, Ajuda - Graciosa e Pico Alto - Santa Maria. Numa segunda fase, montaram-se 2 outros retransmissores no Pico: Urze e Geraldo. Com tal cenário de antenas garantiu-se, na prática, a cobertura das zonas mais populosas do arquipélago, excepção feita, naturalmente, às ilhas das Flores e do Corvo, onde só foi possível fazer chegar o sinal-RTP alguns anos mais tarde, em 1988.

menu de artigos

Antena da RTP - pela primeira vez nos Açores


1 É de referir que, em Novembro de 1974, sob a égide do chefe do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, dr. António Borges Coutinho, fora criada naquela cidade um grupo de trabalho para o sector do Turismo e da Comunicação Social, do qual faziam parte Luís Botelho, arq. Gomes de Ver maisMenezes, António Lagarto, Manuel Coelho, Gustavo Moura e Raúl Mendonça, que, desde logo, iniciou diligências de sensibilização popular para o problema da TV local, sem, naturalmente, deixar de se movimentar junto das entidades oficiais insulares e continentais com o mesmo objectivo. Sob palavras de ordem como esta, “somos a única parcela do território nacional ainda não coberta pela Televisão” foram-se dando passos significativos, uma vez que o Governo central passou à Administração da RTP o necessário sinal de prioridade. E as dúvidas começaram a desvanecer-se, no que a imprensa açoriana deu ajuda valiosa, acompanhando a verdadeira “escalada” contra o tempo que, entretanto, se iniciara. O Diário Insular (14.1.1975) perguntava: “Quando teremos a TV em nossa casa?” e, logo depois, respondia: “Agora estão a  lançar-se os maciços para a amarração das espias das torres necessárias às antenas dos emissores. É em S. Miguel, na Terceira, em S. Jorge e no Pico. Virão as duas casas (pré-fabricadas) para S. Miguel e Terceira. Depois, depois será como tem sido um trabalho que ganha, com todo o empenho, o tempo ao tempo. A técnica tem os seus limites físicos. Mas trabalha-se para chegar lá: após cada semana uma semana. Tudo o que se pode dizer é que se chegará ao dia da primeira emissão e das primeiras emissões experimentais.” Voltar a fechar

diminuir letra aumentar letra Imprimir Enviar

< anterior | próxima >

Footer