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  • Década de 70
  • RTP Chega Mais Longe
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A partir de 6 de Agosto de 1972 a RTP já não emite exclusivamente para o território do Continente. A sua primeira Delegação (mais tarde, 1980, Centro Regional) é oficialmente inaugurada na Madeira, após a realização de algumas emissões experimentais (a partir de 30 de Junho), que permitiram os indispensáveis ensaios e ajustes técnicos na rede de distribuição; e após, sobretudo, um ano de 1971 que foi passado em trabalho intenso de implementação das infra-estruturas necessárias.1 Isto depois de se verificar não ser possível o lançamento das emissões durante o segundo semestre desse ano, como chegou a ser anunciado. Porém “alguns atrasos verificados na entrega dos equipamentos e adversas condições climatéricas encontradas durante os trabalhos de montagem das torres para as antenas de emissão, impediram que se iniciassem, ainda em 1971, as emissões regulares de Televisão no arquipélago da Madeira. Só no termo do primeiro semestre de 1972 deve ser possível dar à população madeirense o benefício do acesso regular aos nossos programas de Televisão.”2 E, com efeito, assim foi, sem que se possa considerar sensível o atraso de um mês, depois de tantos.

Os trabalhos de maior vulto realizaram-se nos 4 locais escolhidos para a montagem do emissor e dos retransmissores. Na instalação mais importante, no Pico do Silva (freguesia da Camacha), a 1 111 m. de altitude, além do edifício para albergar o emissor (de 2 kw.), grupo electrogéneo de emergência e outros equipamentos, erigiu-se uma torre metálica de 75 m. No seu topo, um sistema de antenas ligado por cabo coaxial ao emissor permitia a irradiação para o espaço de 20 kw. de potência. Os 3 retransmissores de origem, Cabo Girão, Facho (Machico) e Arco da Calheta, distribuíam o sinal recebido do emissor e todo o conjunto teledifusor alcançava cerca de 60% da população da ilha da Madeira e de parte significativa da de Porto Santo. Anos mais tarde, e com o apoio do Governo Regional, iniciou-se um plano tendente à cobertura total das ilhas e é assim, que, em 1980, se inauguram os retransmissores da Portela e São Jorge, que ampliam a recepção à costa norte da Madeira; no ano seguinte é a vez dos retransmissores de Ribeira Brava e Encumeada; em 1984 são 4 os retransmissores que entram ao serviço: Gaula, Fajã da Ovelha, Paul do Mar e Terça de Porto Moniz, que completam a terceira fase do plano de cobertura; em 1985 inaugura-se o retransmissor de Ponta Delgada; em 1986, o do Curral das Freiras; e, finalmente, em 1987, o de Porto Santo, assim se atingindo uma cobertura da ordem dos 100%.

Quanto ao edifício-sede da Delegação, situava-se em plena cidade do Funchal, na rua das Maravilhas, num prédio de traça antiga que acabava de ser adaptado para funcionar como residencial. Houve pois que fazer novas obras (apenas as primeiras de umas tantas mais que foram precisas, nos anos que se seguiram) para se conseguirem os espaços necessários para os equipamentos, de que telecinemas e videotapes eram peças essenciais, dadas as características da programação que se ia emitir; um pequeno estúdio equipado com uma câmara (que tinha sido de telecinema, mas que fora engenhosamente adaptada para a sua nova função); uma régie, igualmente minúscula; e gabinetes necessários para redacção, produtores-coordenadores, manutenção, etc. Distante ainda a possibilidade de se utilizar o satélite (não pelos custos, ainda que elevados, mas porque não existiam estações terrenas, nem no Continente nem na Madeira – a Marconi pensava nisso, mas a prazo, o que, no caso do arquipélago, só teria efeito em 1982), o recurso que restava era fazer chegar a programação – os “enlatados”, como se designava na gíria interna – por via aérea. E assim se passava: os suportes magnéticos de uma polegada e as bobines dos filmes eram recebidos em Santa Catarina; viajavam, depois, de carro, até ao Funchal; eram, em seguida, minimamente controlados; e, finalmente, eram postos “no ar” pelos equipamentos de estúdio. “De origem local apenas os planos em directo, de estúdio, da locutora de continuidade e do jornalista que apresentava o serviço noticioso, ilustrado com imagens do noticiário emitido na véspera no Continente.”3

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A RTP na Madeira - a sua primeira sede na Rua das Maravilhas, Funchal


1 Em 6.11.1970 (Ordem de Serviço nº 11), a Administração da RTP “reconhecendo a necessidade de dar forte impulso aos trabalhos relativos à extensão do serviço de Televisão ao arquipélago da Madeira”, colocava todos esses trabalhos sob a directa orientação do Director-Geral de Produção e Emissão, engº Matos Correia. Mais: Ver maisconstituía um grupo para com ele trabalhar em tarefas inerentes – engºs Nunes Marques, Correia Pinto e Mário Couto; e Alves dos Santos. Entretanto, o engº Assis Correia era nomeado chefe da Delegação da RTP na Madeira. Voltar a fechar

2 Relatório e Contas do Conselho de Administração – ano de 1971.

Interessa evocar que o Conselho de Administração da RTP, reunido em 5.12.1962, dava parecer, “que foi aprovado, de que se deveria promover uma reunião com a firma Ramos & Ramos, afim de se esclarecer melhor a sua proposta sobre a Televisão na Madeira.” Embora não se conhecendo qualquer desenvolvimento deste Ver maiscaso, o que se sabe é que não passou do que era: proposta. O mesmo destino teve um projecto apresentado pelo cineasta António da Cunha Telles (natural da Madeira) e que previa a constituição de uma sociedade, a Radiotelevisão Madeirense, para explorar a TV no arquipélago, embora em estreita colaboração e entendimento com a RTP. Voltar a fechar

3 Folheto 15 Anos de RTP Madeira, edição TV Guia - 1988.

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