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  • Década de 90
  • Entre a mudança e a reestruturação
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A nova Direcção-Coordenadora de Programas e Informação estava a tentar seguir as suas próprias linhas de programação, reconhecendo-se um conjunto de novas propostas para os 2 canais, porém sem permitir que deles desaparecessem as rubricas eleitas, ou pelo gosto popular ou pela necessidade de presença numa TV de serviço público. Joaquim Furtado falava, assim, à revista TV Guia38 sobre as suas primeiras grelhas: “As novas grelhas, as novas propostas que se transformarão em grelhas, verdadeiramente apuradas mais tarde são o resultado de um esforço bastante grande da equipa, e, no fundo, de todos os trabalhadores da RTP. (...) É apenas o princípio de qualquer coisa que eu acho que pode constituir uma boa proposta de televisão. (...) Esta programação, tal como está, e não sendo ainda a que queremos para o futuro, constitui já mais um sinal. Penso que encontramos qualidade em várias áreas, tanto na RTP 1 como na RTP 2. (...) Estamos a fazer programas que queremos que sejam para todos os portugueses, mas sabemos que não é de um dia para o outro que vamos conquistar as audiências entretanto perdidas. Teremos de conquistar audiências à medida que formos capazes de demonstrar que as propostas que fazemos são propostas de qualidade, que não vão, portanto, socorrer-se dos truques que são próprios das televisões comerciais para com isso obter audiência. Com as novas grelhas da RTP ‘no ar’ já conseguimos travar a descida, e podemos começar a falar de outros sinais positivos.”

O desporto seria um desses sinais, naturalmente, se atendermos a que, nos primeiros meses do Verão, se desenrolaram em dois continentes (Europa e América) dois dos mais importantes eventos: “Euro-96”, Campeonato da Europa de Futebol, em Inglaterra; e o “Atlanta-96”, a 26ª Olímpiada da era moderna (100 anos depois da primeira, em Atenas, 1986). Ao aproximar-se o “Euro-96” a RTP promoveu, no Centro Cultural de Belém, uma festa de despedida aos 22 jogadores seleccionados para representar Portugal. E, daí, o título do programa, “Boa Sorte, Portugal”, transmitido em directo pela RTP e pela RTPi. Houve distribuição de prémios e um final com muita música e a voz inconfundível de Dulce Pontes. Quanto ao acontecimento desportivo propriamente dito foi, como se esperava, mobilizador das atenções dos espectadores da RTP, que transmitiu, em exclusivo para o nosso país, 31 jogos em 3 semanas de Junho. A actuação da equipa nacional foi sendo festejada até aos quartos de final, que acabaram perdidos para a República Checa, enquanto a Alemanha viria a conseguir, em Londres, o seu 3º título europeu. A RTP teve, em Inglaterra, 3 comentadores (Miguel Prates, Gabriel Alves e Paulo Catarro) e um repórter (Pedro Figueiredo), contando, ainda, com a colaboração do correspondente António Esteves Martins. O número, já impressionante de 7 mil milhões de espectadores do “Euro-96” foi ultrapassado pela competição olímpica que se realizou na cidade do sul dos Estados Unidos. Só de direitos de transmissão, as televisões europeias pagaram 37 milhões de contos. Havia, pois, que rendibilizar o esforço financeiro. A RTP transmitiu 260 h. de imagens de um máximo possível de 300. Pinto Enes, o responsável pela área de Desporto, considerou que a estação “estava a fazer a maior cobertura de sempre aos Jogos”, pondo foco – como era natural que o fizesse – na actuação dos atletas portugueses. A RTP deslocou para Atlanta uma equipa de trabalho coordenada por Manuel da Costa e constituida por Cecília Carmo, Jorge Lopes, Sousa Martins, Francisco Figueiredo, Luís Baila e Rui Loura (comentador de futebol); e, ainda, um grupo técnico chefiado por Pisco Maio, com Fernando Nobre e Mário Martins, operadores de registo de edição. Em Lisboa e preparando todo o material para emissão, estavam as produtoras Eugénia Pinheiro, Eduarda Silva e Ana Lucas. Não foi tarefa fácil, porque a diferença horária atirava, geralmente, as grandes decisões (e as medalhas) para as madrugadas. Ainda assim, a RTP 1 não abdicou das transmissões directas, que algumas vezes se prolongaram até às 5 h. da madrugada. A RTP 2 concedia espaços para directos às provas realizadas de manhã ou ao começo da tarde e ambos os canais seleccionavam os melhores momentos e apresentavam-nos em resumos informativos. Dos Jogos de Atlanta veio uma alegria para os portugueses – viu-se Fernanda Ribeiro vencer a prova dos 10 000 m., bater o recorde olímpico e receber a correspondente medalha de ouro. Não a única medalha que nos calhou, mas foi a mais importante. Os velejadores Hugo Rocha e Nuno Barreto conquistaram uma, mas de bronze. Os nossos paralímpicos, cujos Jogos foram logo depois, trouxeram para Portugal 14 medalhas (6 de ouro, 4 de prata e 4 de bronze).

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38 Ed. nº 902, 18 a 24.5.1996, excertos de declarações recolhidas por Maria João Lourenço.

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