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  • Década de 90
  • Entre a mudança e a reestruturação
  • pag19

No que respeita à RTP 1, a Informação que a RTP-Porto produzia para o Telejornal das 13 (sempre em alta quanto às audiências), complementou-se com um noticiário regional, subordinado ao título “País Real”. A meio da tarde passou a haver um intercalar de notícias (em 5 minutos o essencial do que se passava no País e no Mundo), prática que se estendeu ao 2º canal. Também nas duas antenas continuava o “RTP – Financial Times”, a informação económica, diária, a cargo de Carlos Vargas.35 A seguir ao Telejornal das 20 h. iniciou carreira aquele que viria a ser um dos mais apreciados (e comentados e discutidos) programas da RTP 1: o “Contra-Informação”. Era um espaço que surgia para dar vasão a “um tipo de humor corrosivo e bastante forte, mas que seja bem-disposto e com bom-gosto.”36 Certo é que a sua permanência em emissão, com as muito bem conseguidas caricaturas “das pessoas mais conhecidas entre as que o são”, foram proporcionando não só o aparecimento de novos “bonecos” (figuras centrais das acções criadas... e se políticas ou do mundo do futebol, tanto melhor) como, também, de renovadoras técnicas de voz e de manipulação. Produção da Mandala, gerida por Mafalda Mendes de Almeida, eficiente a criar e a inovar processos de trabalho, “Contra-Informação” estava a fazer a sua entrada na história moderna da nossa Televisão.

Ainda na área da Informação, situava-se um novo espaço para as tardes de 2ª a 6ª – “Canal Aberto”, e bem escolhido, por sinal, fora o título, já que o estúdio onde era realizado (também um novo espaço, no piso térreo da 5 de Outubro) dava para a rua, assim proporcionando espectadores-extra, um tanto ou quanto surpreendidos, mas só no ínicio... Pedro Rolo Duarte conduzia o programa interactivo – pois permitia que os espectadores participassem pelo telefone – e que tinha sempre uns quantos convidados para debate de temas actuais. Isabel Bahia era a repórter de rua, recolhendo outras opiniões. Regresso que se festejava era o de Maria Elisa e, desta feita, era o seu próprio nome que dava nome ao programa de grande-informação, sempre com tópicos que ela gostava de abordar. Feito a partir do estúdio 1 do Lumiar (produção de Olga Toscano, realização de Vítor Barreto), “Maria Elisa” tinha uma plateia participativa na discusão de factos ou personagens mais em foco na actualidade, sendo chamados a pronunciarem-se os convidados do programa.37 José Manuel Barata-Feyo e a grande reportagem tinham lugar de privilégio em “Enviado Especial”.

Na área do entretenimento, as novidades eram: “Domingo em Cheio”, com o ilusionista Luís de Matos a passar-se para o lado dos apresentadores e a receber figuras públicas para uma conversa que incluia percursos documentados de vida, música e até cartas astrológicas; “Herman Total”, o humorista revisitando a sua carreira na RTP, mas olhando também para a frente, trabalhando em novos quadros e confraternizando com amigos animadores de várias funções no cenário do programa; “Todos ao Palco”, articulando variedades com um concurso de dotes artísticos; “Ligações Perigosas”, um “talk-show” fora do comum, com convidados fixos (Paula Moura Pinheiro e Nuno Rogeiro), outros nem tanto e, sobretudo, uma mulhar virtual, B.B., criatura oriunda do computador e que tinha (ela e os outros) de se defender das contradições pontualmente lançadas por Júlio Machado Vaz (co-autor do programa, psiquiatra, sexólogo) e que se mostrava um desafiador de respeito; e “Clássicos RTP”, as produções que foram êxito, de regresso ao pequeno ecrã.

Enquanto se repetiam duas novelas, “Cinzas” e “Pedra sobre Pedra”, e passavam outras tantas, mas de origem mexicana, “Rosto de Mulher” e “Uma Promessa de Amor”, chegava uma nova e portuguesa: “Primeiro Amor”. Substituia “Roseira Brava” e, tal como ela, era uma produção da NBP. A acção decorria na histórica vila de Sintra, era dirigida por Álvaro Fugulin e Lourenço Mello e, no elenco, estavam, entre outros, Filipe Ferrer, Maria Dulce, António Cerdeira, Nicolau Breyner, Manuela Maria e José Gomes. Mas seria injusto esquecer 4 nomes, que se estreavam, e que conquistavam direito a futuro, como intérpretes de telenovelas e não só: Susana Dias, Eurico Lopes, Vera Alves e Pedro Górgia. Programas que continuavam carreira, gozando já de inevitável longevidade – o que tinha claro significado – eram “Parabéns”, de Herman José; “A Mulher do Sr. Ministro”, de Ana Bola; o concurso “Casa Cheia” que, em Junho, atribui o seu maior prémio de sempre: 120 mil contos; e “86-60-86”. Eram entretenimento considerado como “muito forte”, logo marcadores de programação.

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Carlos Vargas e o prémio atribuído ao seu programa

Da vida real para o pequeno ecrã. As figuras do "Contra-Informação" ganharam, rápido, o estatuto de "vedetas"

As figuras caricaturadas são facilmente reconhecidas

"Ligações Perigosas" - "BB", a virtual, entre Nuno Rogeiro e Paula Moura Pinheiro

Manuel Cavaco, José Raposo e Canto e Castro em "Roseira Brava"

"Roseira Brava" - Nuno Homem de Sá e Mariana Rey-Monteiro

Outra telenovela portuguesa: "Primeiro Amor". Uma das cenas, com André Gago, Vera Alves e Márcio Ferreira

De "Primeiro Amor", outra cena, esta com António Pedro Cerdeira e Felipe Ferrer

"Trio de Quatro" - Lídia Jorge, Graça Morais, Maria Elisa e Maria Isabel Barreno (da esqª para a dtª)


35 O jornal britânico Financial Times acabava de eleger a versão portuguesa do seu magazine televisivo como o programa modelo do grupo, em formato compacto. O jornal salientava não só o bom trabalho de apresentação de Carlos Vargas como a qualidade global da edição, incluindo o grafismo, rotulado de “excelente”.

36 Palavras de José Pina (autor dos textos, com Rui Cardoso Martins e Nuno Artur Silva) a Maria Filomena Aivado, TV Guia, nº 901, 11 a 17.5.1996.

37 Maria Elisa acabava de terminar, na TV2, um programa que recolheu agrado de espectadores e elogios da crítica: “Trio de Quatro”. Ela era a quarta; as outras 3: Graça Morais (pintora) e Lídia Jorge e Maria Isabel Barreno (escritoras). À volta da mesa, assumidamente mulheres da meia-idade, lançavam elas Ver maisolhares (e falas) penetrantes sobre o que as sensibilizava (ou incomodava) no quotidiano à volta, da vida como das ideias. Voltar a fechar

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