voltar à homepage do site
separadorseparadorseparadorseparadorseparador
 

Início  |  Fimseparador< anterior - Pag.1 / 26 - próxima >separadorir para a pag. 


  • Década de 90
  • Entre a mudança e a reestruturação
  • pag1

A nova grelha de programação da RTP, na transição de 94 para 95, assumiu uma aposta forte e essa chamava-se Informação. Desde logo, o Telejornal abandonou as edições de fim-de-semana (“Jornal de Sábado” e “Jornal de Domingo”) e passou a ser Telejornal todos os dias, então se confirmando que o seu auditório mantinha o crescimento, no Continente como nas comunidades portuguesas onde chegava a RTPi (ou seja: em quase todo o Mundo) e que dispunham desse serviço informativo, sempre em directo. A cenografia implementara, entretanto, novo cenário no estúdio do Telejornal e era nele que se passaram a ver os pivôs, José Rodrigues dos Santos (de 2ª a 5ª feira) e Judite de Sousa e Fátima Campos Ferreira (alternadamente, de 6ª a Domingo). Outro líder de audiências continuava a ser o “Jornal da Tarde”, emitido a partir dos estúdios do Porto (com Carlos Daniel e Júlio Magalhães, alternando na apresentação) enquanto o “24 Horas” encerrava a Informação do dia, também no CN 1, e o “TV2 Jornal” prosseguia uma linha editorial muito própria, já suficientemente testada junto de espectadores da classe média-alta. “Bom Dia” (com novos apresentadores: Ana Peixoto e Sandra Cruz) e “Boa Tarde” (este a substituir “Ponto por Ponto”, mas sem perder o apresentador habitual, Raúl Durão) preenchiam espaços no CN 1 nos dias úteis da semana. Os interesses locais continuavam a ser mostrados (e defendidos) no “TV2 Regiões”, aos domingos; o “Financial Times” estava nos dois canais, de 2ª a 6ª feira; e um outro programa, que também abordava problemas económicos, “Dinheiro em Caixa”, de e com Paulo Fidalgo, era de periodicidade semanal, no CN 1. Mas o programa de Informação não-diária sobre que recaíam atenções especiais, até pelos seus protagonistas, Maria Elisa e José Eduardo Moniz, era “Prova Oral”, onde os 2 jornalistas chamavam à entrevista (ou ao debate) personalidades das mais marcantes da vida nacional.1 Para a TV2 estava também reservada uma boa surpresa – o regresso de Carlos Pinto Coelho àquilo que ele tanto gostava de fazer: falar de cultura, divulgá-la, discuti-la com (e entre amigos). “Acontece” era o nome de programa que começava e que pretextaria falas por muito tempo. “É uma experiência com uma motivação de base: fazer perceber, através da Televisão, às pessoas comuns, que a cultura é para todos e para ser consumida por todos” – afirmava Carlos Pinto Coelho ao jornalista João Gobern.2 E prosseguia: “Pretende ser um programa despojado, muito simples na sua formulação, com uma entrega de mensagem quase superficial. Vive com ritmo de Telejornal: num espectro muito mais vasto de áreas de cultura, podemos servir pequenos aperitivos (como um jornalista já lhe chamou), de forma a que o telespectador não se sinta cansado pelo tema, sabendo que vai ser rápido, seguindo-se algo de diferente.”3 Regressando à Informação não-diária: a grande reportagem de âmbito internacional chamava-se “À Roda do Mundo” e fazia-se, basicamente, com trabalhos dos correspondentes da RTP espalhados pelo Mundo; em “Reportagem”, José Manuel Barata-Feyo estava atento a temas nacionais, não lhe faltando matéria-prima, o que, aliás, também se passava com “Vício-Versa”, um novo programa de debate que apresentava uma novidade: a de ser um político a moderar a conversa com jornalistas. Eram, ainda, títulos da grelha da TV2, mas no CN 1, falta referir que pequenas grandes histórias (verídicas) do quotidiano, faziam de “Coisas da Vida” uma rubrica que também contava com a opinião dos espectadores (expressa, em directo, pelo telefone) e onde Luís Pires e Cristina Branco expunham e analisavam casos, lançando desafios para a sua abordagem e resolução. Manuel Rocha, Director de Informação, questionado pela jornalista Berta Neves4 sobre como alcançar o equilíbrio entre a qualidade e as audiências, dizia, então, que tal seria possível “com uma Informação mais próxima do espectador, mas sem cedência a qualquer tipo de gosto primário. Se formos capazes de encontrar a forma fácil e clara, e de fazer com que a nossa Informação tenha a ver com as pessoas, não precisamos de fazer cedências na qualidade, teremos é que encontrar a ponte de comunicação com o espectador. Não é fácil mas penso que é possível. Há algumas experiências, mesmo na RTP, em que isso se tem conseguido. Não devemos fechar a Informação para elites, para pequenos grupos de interesses políticos, económicos ou culturais. Os nossos jornais devem ser mais abrangentes em termos temáticos e geográficos.”

menu de artigos

Telejornal - audiência consolidada

"Jornal da Tarde" - Carlos Daniel

"Boa Tarde" - Raúl Durão com convidados

"Dinheiro em Caixa" - Paulo Fidalgo

"Prova Oral" - Maria Elisa e José Eduardo Moniz

"Acontece" - Carlos Pinto Coelho

"A Roda do Mundo" - Paulo Dentinho

"Reportagem" - José Manuel Barata-Feyo


1 Maria Elisa vinha de “A Marcha do Tempo”; José Eduardo Moniz do “De Caras”. Embora cada um mantivesse (e cultivasse) o seu estilo – e até esteve aí um dos pontos de maior interesse do programa – certo é que “Prova Oral” fez reverter esses estilos sobre os seus Ver maisobjectivos de modo muito positivo, dando aos espectadores visões mais amplas sobre os temas tratados. Isto sem que aos condutores do programa faltasse a conveniente dose de homogeneidade que devia passar. “Prova Oral” teve realização de Vítor Barreto, produção de Ana Lucas e coordenação e edição do jornalista António Esteves. Voltar a fechar

2 Se7e, 16.11.1994.

3 Espectadores mais atentos, julgaram encontrar uma certa relação de proximidade entre o “Acontece” e o “24 Horas” de meses atrás, quando Carlos Pinto Coelho o apresentava. Com efeito, era frequente a inclusão, nesse último espaço informativo do dia (CN 1), de breves apontamentos sobre a vida cultural portuguesa, com Ver maisinéditas ligações ao exterior (espectáculos teatrais em estreia, por exemplo) ou chamada a estúdio de personalidades que se envolviam na abordagem de livros, pintura, música, dança, cinema. Os tais espectadores mais atentos não deixavam de considerar que C. P. Coelho começara, então, aí, a pensar sério o seu “Acontece”. Opinião deles, mas válida. Voltar a fechar

4 TV Guia, nº 813, 3 a 9.9.1994.

diminuir letra aumentar letra Imprimir Enviar

< anterior | próxima >

Footer