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  • Década de 90
  • Mais País e Mais Mundo nos anos difíceis da RTP
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Ser Presidente da RTP na altura em que Brandão de Brito o foi era coisa para não se desejar nem ao pior inimigo. Pelos corredores da 5 de Outubro era a voz que corria, independentemente de haver quem lhe gabasse a coragem enquanto outros lhe atribuíam prazo curto na validade. Brandão de Brito – se é que tal falatório alguma vez chegou a passar da porta do seu gabinete – mostrava-se pouco disposto a estas provocações já que estava ocupado a atender aquelas que considerava bem mais importantes e que eram as que a situação da empresa determinavam. Não desconhecendo que os seus antecessores, Manuela Morgado e Manuel Roque, não tinham conseguido ultrapassar divergências com o Governo no momento em que decidiram tomar decisões mais polémicas, Brandão de Brito ocupou-se na preparação de dossiês que, eventualmente, lhe poderiam causar idênticos dissabores. Mas, bem medidas as causas e os efeitos, enfrentou essa possibilidade com calma, trabalho e sentido de missão. “Este Conselho veio encontrar a empresa, porventura, num dos mais difíceis períodos da sua vida. Notámos um sentimento generalizado de algum desalento, mas também de enorme expectativa. Temos feito, para além da gestão do dia-a-dia, um grande esforço para não gorar essas expectativas e tentar a recuperação e reorganização da empresa em todas as suas áreas.”1

Reestruturar – refundar era, também, uma palavra muito acolhida pela nova Administração – voltava à primeira linha das intenções e era dado adquirido que no início do 2º trimestre de 1999 estaria disponível um plano para cumprir a estratégia. “Esse plano deixará as coisas muito mais claras. Não é mais um plano para ficar na gaveta, como seria legítimo recear. É para se fazer, será debatido internamente e com o accionista, e a partir daí passamos a ter um quadro geral daquilo que pensamos dever ser uma televisão para o próximo século.” Estas palavras de Brandão de Brito à TV Guia2 tinham a virtude da esperança e veremos, já adiante, novos desenvolvimentos. Entretanto, havia uma pergunta que muito se fazia, por se entender que só com uma boa resposta se poderia avançar na ambicionada estratégia. E essa pergunta também a fez um jornalista da Visão:3 “-Qual a situação financeira da RTP?” ao que Brandão de Brito respondeu: “É dramática, embora a Comunicação Social tenha passado, por desconhecimento, muitas inverdades. Por exemplo, o Estado, desde 1997 até Dezembro de 1998, não meteu um tostão na RTP (…) As indemnizações compensatórias são sucessivamente cortadas. É uma situação que terá que ser resolvida, ao abrigo do contrato de serviço público.” Nova pergunta do jornalista: “-Como explica a situação da RTP?” e nova resposta do Presidente: “Não sei se por sem querer, a RTP sofreu duas tentativas de assassínio a frio. A primeira, foi quando lhe cortaram as taxas. A segunda, foi quando a obrigaram, se o termo é aplicável, a vender a rede à PT (Portugal Telecom), por um preço irrisório. Nós vendemos a rede por 5 milhões e 400 mil contos e, só em dois anos, a PT cobrou-nos 7,6 milhões de contos pelo aluguer da rede que era nossa.” Brandão de Brito escolhia aqui, como exemplos, duas das mais controversas decisões que se, a seu tempo, agitaram a vida da RTP, certo é que as consequências ainda se estavam a pagar. A mais recente decisão de reduzir a carga horária da publicidade era igualmente vista com incomodidade pelos gestores da empresa que mais se queixavam era da relativa indiferença dada a todos estes pressupostos, à não atempada correspondência – financeiramente falando – que era devida a um serviço público prestado por 6 canais de Televisão, sendo que 2 deles projectavam nome e imagem do País além fronteiras – e de modo que, na generalidade, se considerava prestigiante.

menu de artigos

1 Grande Plano, revista da COOPTV, nº 57, 2º semestre de 1999.

2 Edição nº 1045, de 13 a 19.2.1999. Entrevista de Rui Mendonça e Elsa Carreira.

3 Edição nº 304, de 14 a 20.1.1999, entrevista de Pedro Vieira.

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