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  • Década de 00
  • Rádio e Televisão de Portugal - o ciclo das grandes decisões
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O novo Conselho de Administração começou pois a preparar os primeiros relatórios analíticos das situações internas, quase todos revelando problemas gravosos, de que não era possível alhear a elevada instabilidade ao nível da gestão da RTP: 5 Administrações e 12 Direcções de Programas e Informação entre 1995 e 2002. Por outro lado, verificava-se a inexistência de orientações quanto a posicionamentos a adoptar e de objectivos empresariais concretos, com reflexos no serviço público, uma vez que mais apostava em conteúdos que concorriam, abertamente, com os operadores privados, do que na criação de produtos próprios, característicos da missão pública. Um dos relatórios do Conselho, dá conta da “falência técnica da RTP e da sua situação financeira desastrosa”, citando prejuízos acumulados desde 1990 da ordem dos 1 200 milhões de euros; referindo uma situação negativa de 900 milhões de euros em 2002; anotando o aumento descontrolado do passivo financeiro – de 359 milhões de euros em 1996 para 1 300 milhões de euros em 2002; existência de 9 empresas participadas, 6 das quais criadas nos últimos anos – todas deficitárias e acumulando prejuízos de 16 milhões de euros em 2001; e registando situações de incumprimento perante instituições externas (instituições financeiras, fornecedores, parceiros). O relatório que vimos seguindo, após mencionar que a RTP 1 e a RTP 2 tinham entrado numa rota progressiva de perda de influência (as audiências, que eram de 44% em 1995, não passavam dos 26% em 2002), dava para os custos operacionais da RTP em 2001, 402 milhões de euros (tendo crescido de 218 milhões de euros em 1996); lembrava a inexistência de instrumentos de gestão e mecanismos de controlo adequados, considerando como elementos perturbadores a aquisição de programas e o recrutamento de pessoal a preços incomportáveis; e, finalmente, referia como desadequadas as políticas de recursos humanos, verificando-se, à partida, um sobredimensionamento: cerca de 3 380 trabalhadores na RTP e empresas participadas.

Nas suas linhas gerais o quadro não podia ser mais negro, mas que, de modo algum, se tratava de “missão impossível”, era o que já transparecia da mensagem que Almerindo Marques, em seu nome e no dos colegas do Conselho de Administração, endereçou aos trabalhadores da empresa, após a assunção dos respectivos cargos: “Evitando fazer as costumadas e circunstanciais fáceis promessas, prometemos apenas o nosso total empenhamento na prossecução do objectivo – este sim, a maior promessa que, julgamos, deseja toda a empresa – que consiste em assegurar que a RTP volte a ser uma empresa moderna e dinâmica, que cumpra a sua Missão e os objectivos para que foi criada. Terão de ser tomadas medidas bem difíceis, terão que ser eliminados vícios, erros, ineficiências e improdutividades, terão que ser eliminados privilégios indevidos, sejam de quem forem. Em suma, terão que ser pedidos esforços e alguns sacrifícios a todos, ou seja, trabalhadores, fornecedores e contribuintes. A contrapartida mais fundamental é oferecer aos espectadores melhor Televisão. Estamos certos de que todos os que gostam da nossa RTP, e sobretudo os que nela trabalham, vão estar disponíveis para desenvolver com êxito o plano que anunciamos, disponibilizando-se cada um para fazer ‘o que é imprescindível que se faça’.”

Fazer o que era imprescindível que se fizesse – e é que foi mesmo assim ao longo dos tempos que se seguiram, aproveitados ao máximo para dar cumprimento a objectivos calendarizados e que apontavam para a necessidade de ultrapassar não só as três fortes crises detectadas – de identidade, de estratégia e de organização – mas, também, criar incentivos, caminhos de progressão para uma empresa que dir-se-ia ter entrado em rota de colisão consigo própria. Haverá oportunidade de ver, nas páginas seguintes, como os resultados de intervenção decidida, corajosa e, sobretudo, competente, deram à RTP o rosto e o corpo que ela hoje tem no cenário nacional e internacional da Comunicação. Mas para já, deixem-se referidos os vários e sucessivos passos que a conduziram até aí, estruturados a partir de 2002 sob um lema de compromisso: “fazer mais com menos”, e que, por terem sido cumpridos, acrescentaram à RTP o factor da credibilidade que dela se arredara. Primeira etapa, a da “sobrevivência” (com vínculo à área financeira), e que se dizia possível de vencer desde que se evitassem rupturas de tesouraria, se restabelecesse a confiança dos bancos e dos fornecedores, se resolvessem pendências e litígios e se promovesse a rápida redução dos custos. Depois, a fase da “consolidação”, onde se exprimiam conceitos como estes: definir o modelo de financiamento e reestruturar o passivo; simplificar a estrutura organizativa e criar uma cultura de Grupo; reajustar o quadro de pessoal e incrementar a produtividade; impedir a destruição do Arquivo Audiovisual, relançar o Museu e o Centro de Documentação; lançar “a 2:”; programar a entrada no cabo com canais temáticos; e produzir novos conteúdos de serviço público. Finalmente, a terceira etapa – a do “relançamento”, onde avultavam: novas instalações para um novo modelo de actividade (Rádio e Televisão); novo acordo colectivo de trabalho; novos sistemas de informação e gestão; e novas tecnologias ao dispor de novos projectos de serviço público.

Preparar o futuro (rompendo com o mau passado) não parecia ser, era mesmo, uma preocupação presente no quotidiano da Administração liderada por Almerindo Marques que cedo mostrara como actuar com rapidez, depois de bem estruturar as ideias, é a forma mais correcta de gerir um empreendimento, mesmo quando ele é tão enorme e tão complexo. Sabia-se que assim era, mas a notícia da compra do edifício da Avenida Marechal Gomes da Costa (zona Olivais - Cabo Ruivo)1 para aí instalar a RTP e a RDP, constituiu surpresa, embora não se desconhecessem as diligências que vinham sendo feitas para se encontrar um local adequado. O negócio fechou-se entre um Fundo Imobiliário seleccionado pela Portugal Global e a Parque Expo. A venda dos edifícios da 5 de Outubro e das Amoreiras fazia parte da estratégia da nova aquisição, num quadro financeiro em que a alienação de património era considerada como auxiliar da redução de passivos. As questões relativas ao património foram guiadas, a nível do Conselho de Administração, pelo dr. Costa e Silva.

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Avenida Marechal Gomes da Costa, 37 - a nova sede da RTP

Linhas harmoniosas, enquadramento paisagístico valorizador, o edifício estende-se por frente alongada, semelhando um movimento de onda. Nele se instalaram a TV e a Rádio Públicas

Parque de antenas parabólicas - um permanente contacto com o Espaço


1 O conjunto edificado, segundo traça do arquitecto Carlos Ramos, e uma vasta área de terrenos circundantes, fora, anos atrás, propriedade - sede da Dialap - Companhia de Lapidação de Diamantes. A Expo’98 adquiriu essas instalações, aí instalando a sua primeira sede.
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