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  • Década de 60
  • RTP aos 10 Anos
  • pag46

Por alturas de Agosto, o administrador Freitas da Costa produz um extenso documento que intitula “Definição da Orientação Geral dos Programas”, aí escrevendo: “Constitui objecto geral dos programas da RTP (da sua produção e da sua distribuição no mapa-tipo) contribuir o mais eficazmente possível para o aperfeiçoamento moral, social e cultural do povo português – ‘dentro dos princípios morais e sociais instituídos pela Constituição Política da Nação’ – quer tenham carácter essencialmente educativo, recreativo, cultural ou de informação.” O que depois se segue é uma carta de intenções, extremamente analítica e da qual se pretendem extrair directrizes conclusivas para novo mapa-tipo. Não é fácil fazer passar à prática tal (e tanta!) teoria e os futuros mapas-tipo irão respeitar coordenadas que vêm detrás, quer isto dizer: manter-se-ão espartilhados pelos tradicionais condicionalismos (quando não imposições) técnico-operacionais, embora evidenciando, em muitos casos, salutares ambições de produção que algumas vezes alcançam.

Carlos Miguel de Araújo, que era, no ano 10 de vida da RTP, Director dos Serviços de Programas – e que tinha já um razoável traquejo nesse lidar com os mapas sazonais – consegue, apesar de tudo, alguns bons sinais, dados por rubricas que mereceram, unanimemente, a aprovação da crítica e do público, como “Segredos do Mar” (de Hélder Mendes), “Horizonte” (de Baptista Rosa), “Fátima, Altar do Mundo” (uma série de Ruy Ferrão), “Universidade na TV” (programa cultural da Université Radiophonique et Televisuelle International) e “Os Bons Velhos Tempos” (da BBC para a Eurovisão, com o versátil apresentador, Leonard Sachs, a dar-nos a música dos avós). Mas onde se irá notar maior preocupação de mudança é na área da música clássica. Intensificam-se as transmissões de festivais, concertos, óperas e bailado, sendo que, seguramente, se inseriam no mesmo objectivo programas como “Histórias da Música” (de João de Freitas Branco), “Metamorfose da Dança” (de Luna Andermatt e Vera Varela Cid), “TV Mundo” (que passou a incluir temas ligados à música e aos músicos), “Geral Reservada” (a informação sobre a música e o bailado), bem como, naturalmente, o já indispensável “Concerto para Jovens”.

Mas a juventude estava igualmente bem servida por um programa onde se falava de tudo sobre o mundo do disco e que passava em revista a música que mais lhe agradava. O grande trunfo de “Discorama”, da responsabilidade de Carlos Cruz e Dinis de Abreu,57 era mesmo esse – o de acertar com o gosto de um tipo de espectador exigente, por norma. “ ‘Discorama’ aparece a falar uma linguagem de dinamismo, de reforma, a que não estávamos habituados. É um programa de combate, que não transige com o mau gosto. É um programa que tem opinião própria e sabe exprimi-la de maneira original. É um programa que informa, ensina e cria beleza espectacular.”58 O realizador Luís Andrade confere-lhe mesmo uma aura percursora: “Criámos o ‘Discorama’ onde pela primeira vez se fizeram os ‘video-clips’ que ainda não se tinham realizado em parte alguma. Nós, a RTP, fomos os primeiros a enviá-los para a Europa. Mas atenção, não foi o Luís Andrade que fez, foi uma equipa de profissionais, o que é completamente diferente! Daquilo que mais me orgulho como realizador, foi o ter trabalhado sempre em equipa.”59

Muito cinema de animação aparecia, então, no pequeno ecrã, para regalo dos mais novos (e não só), enquanto também nele se estreavam algumas das melhores séries filmadas do Mundo: “O Maioral”, “Sou Espião”, “O Bom Pastor”, “Cidade Nua”, “Os Vingadores”, “AVida por um Fio”,“Mrs. Thursday”. Grandepreponderância para as de origem norte-americana, enquanto que nas grandes-metragens – a que a RTP continuava a dedicar, pelo menos, uma exibição semanal – se dava cada vez mais importância ao cinema europeu.

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"Os Bons Velhos Tempos"

João de Freitas Branco

A estreia dos "vídeo-clips"


57 Mais tarde (de 10.2.1993 a 5.12.1995) viria a ocupar um dos lugares de vogal do Conselho de Administração da RTP, sendo Presidente A. Freitas Cruz.

58 Fialho Gouveia em TV - Semanário da Radiotelevisão Portuguesa, nº 209, 27.4.1967.

59 Entrevista a José Manuel Pina, Grande Plano - revista da COOPTV, nº 48, 2º trimestre 1996.

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