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  • Década de 60
  • Do 2º Programa à Lua e ao "Zip-Zip"
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Embora durante todo o ano de 1967 se tenha pensado (e muito estudado) o projecto de pôr “no ar” uma segunda emissão,1 a verdade é que seria preciso esperar até ao Natal do ano seguinte para vê-la. O primeiro emissor de UHF instalado em Lisboa (Monsanto) entrou, com efeito, em funcionamento no dia 25 de Dezembro de 1968, assim permitindo o acesso dos espectadores servidos por esse centro emissor (e que dispusessem de aparelhos e antenas adequados) a um 2º Programa que, pelo menos na fase de arranque, dita experimental, pouco inovou, como veremos.

Trabalhou-se com intensidade nas montagens do emissor e na torre de antenas, sendo nesta a parte mais delicada da operação, já que houve que acrescentar (20 m.) e reforçar (para um peso de mais 7 toneladas) a torre auto-suportada, de modo a receber as novas antenas de emissão. Mas também nos estúdios do Lumiar, posta em marcha a realização de um 2º Programa, em seus aspectos técnico-operacionais, houve que adaptar, se possível ainda mais, as já muito adaptadas (e saturadas) instalações. Mas foi possível, sim, com algum engenho e imensas boas vontades. A construção do previsto estúdio, ligeiramente maior do que o construído 9 anos atrás, o B, iniciou-se logo após a irreversibilidade da decisão tomada pela Administração. Com uma área de 38 m² – quer dizer, pequeno – e pensado para servir os dois canais, dele se podiam captar imagens de locutores, apresentadores e entrevistados. Estava equipado com duas câmaras e tinha visibilidade directa de uma régie de continuidade, entretanto também construída, e onde era prioritário o encaminhamento para o emissor dos programas do 2º canal. Uma régie que, assim sendo, recebia sinais de todos os meios existentes: telecinemas (a respectiva sala foi aumentada e introduziram-se mais equipamentos), videotapes (recebeu-se mais uma unidade “Ampex”), estúdios, exteriores, etc.

O novo emissor do 2º Programa passou a transmitir no canal 25 com uma potência de saída de 10 kw e 405 kw de PAR (potência aparente radiada). Sob o ponto de vista estritamente técnico deu possibilidade de se promoverem investigações ligadas à emissão em UHF, com vista à sua extensão ao resto do País. “A utilização das frequências UHF para a segunda rede de emissores é imposta pela saturação do espectro das ondas de VHF.”2 De notar que tanto o emissor que acabava de ser instalado em Monsanto como os outros que, nos anos próximos, viriam a ser montados noutros pontos do País, estavam preparados para a emissão de programas a cores, em qualquer sistema. Os progressos no domínio da cor continuavam, aliás, a ser analisados pelos engenheiros da RTP com o maior interesse, mas sem que as decisões se perspectivassem.3

No que respeita à programação, ficaram desde logo as intenções expressas pelo Director-Geral adjunto, engº Matos Correia, que as apontou perante as câmaras, na emissão inaugural: “O 2º Programa, que entrou na sua fase experimental, tem como objectivo fundamental – num futuro que esperamos seja próximo – propor aos srs. espectadores um programa de emissões complementares das existentes, ou de natureza diferente, quando consideradas comparativamente as emissões do 1º e 2º programas. Procurar-se-á oferecer a possibilidade de escolha entre géneros diferentes, com a preocupação de atingir um equilíbrio que permita uma selecção coerente com as preferências de cada um, ou a apresentação de determinadas emissões que, pela sua natureza experimental ou demasiado especializada, a existência de um só programa não justificaria nem tornaria legítimo.”

Mas o que se passou foi que as emissões experimentais tinham acento tónico na repetição de rúbricas de estúdio do 1º – o que requereu grande utilização dos equipamentos de videotape, aliás prevista; e de séries filmadas – uma área onde nem tudo já fora visto, pois passaram algumas (poucas) em estreia. O espectador começou a habituar-se a ir procurar ao 2º aquilo que lhe tinha escapado no 1º. Uma atitude que se correspondeu a propósito dos responsáveis, a verdade é que acabaria por merecer várias e apaixonadas críticas, principalmente dos mais exigentes, dos que queriam dispor, rápido, de uma real alternativa de programação, uma escolha entre os produtos que se serviam à mesma hora em duas origens diferentes. Um desejo, compreensível, dos espectadores menos acomodados, mas que ainda levaria o seu tempo a chegar. Mesmo para o Telejornal encontrou-se uma solução que se afigurava um tanto ou quanto bizarra: a transmissão em simultâneo no 1º e no 2º, quando o que parecia mais aconselhável – e chegou a ser defendido, mas sem esperança, dada a evidente indisponibilidade dos equipamentos para a gravação, fora outra argumentação menos válida –, era a transmissão em hora diferida, para que se alcançassem os espectadores que o não tinham podido ver às 21.30 h., assim se dando como correcto o raciocínio dos que usavam e abusavam do lema “se não viu no 1º veja agora no 2º”.

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Torre do Centro Emissor de Monsanto/Lisboa - mais 20m. de altura para tornar possível a transmissão do 2º Programa

Uma "mira técnica" que ganhou um novo espaço

2º Programa - ficha estatística da 1ª emissão


1 O Relatório e Contas do Conselho de Administração, desse ano, refere o assunto nos seguintes termos: “É evidente o benefício que um 2º Programa constituirá para os telespectadores. Teremos, para isso, de proceder à instalação de uma segunda cadeia de emissores, funcionando em UHF (frequências ultra-altas) cuja rede básica Ver maisde emissores foi definida na Conferência de Estocolmo de 1961; sendo agora necessário projectar, em pormenor, todas as instalações, considerou-se conveniente, entretanto, montar desde já em Lisboa um estúdio e um emissor experimental.” Voltar a fechar

2 Lê-se no Relatório e Contas do Conselho de Administração (ano de 1968) que assim especifica essas interferências: “Utilizando-se as bandas I e III nas frequências dos emissores afectados ao serviço do 1º Programa e verificando-se uma saturação cada vez maior do espectro dessas frequências, com especial agravamento em determinadas Ver maisépocas do ano em que os sinais interferentes provindos da Europa e do Norte de África causam perturbações sérias na recepção dos nossos programas, teremos de continuar a melhorar a nossa rede de emissão nos próximos anos. Essa melhoria será procurada através do transporte do sinal por feixes hertzianos para as instalações emissoras de Bornes, Marofa e Fóia e da progressiva instalação de retransmissores servindo pequenas zonas onde a recepção não pode, ainda, considerar-se ideal.” Voltar a fechar

E no mesmo Relatório, já sobre a extensão da rede de UHF: “No futuro imediato prevê-se a instalação de dois emissores durante o ano de 1969 (iniciando, se os prazos de fornecimento forem cumpridos, o seu funcionamento em Novembro, o da Lousã – 220 kw de potência; e em Dezembro, Ver maiso do Porto – 10 kw de potência) e de mais três em 1970 (em Agosto, o de Montejunto – 10 kw; em Setembro, o de Muro – 10 kw; e em Novembro, o do Mendro – 20 kw).” Voltar a fechar

Houve, com efeito, atrasos na recepção e montagens dos equipamentos. Sem querermos ser exaustivos: o emissor do Porto só começou a emitir o 2º Programa em 1.10.1970; o emissor de Montejunto em 21.11.1970.

3 Ao fim da tarde de 7.6.1967 realizou-se em Portugal a primeira transmissão a cores. “Um posto de transmissão instalado na reitoria da Universidade de Lisboa emitiu um filme alemão sobre campos de flores, o qual foi enviado para o centro emissor da RTP em Monsanto. Daqui, a emissão foi Ver maisdifundida para todo o País e a grande maioria dos espectadores viu esse filme a preto e branco. No entanto, quer na reitoria, onde havia onze aparelhos de TV a cores, quer em casa de algumas personalidades, onde foram instalados aparelhos, a emissão foi colorida.” – Diário Popular, 8.6.1967. Voltar a fechar

Todo o complexo de transmissão do sinal de cor fora anteriormente preparado pelos técnicos da RTP. O inventor do sistema alemão PAL, Walter Bruch, que se deslocou propositadamente a Lisboa para orientar as experiências, teve para resolver apenas os problemas respeitantes ao posto de transmissão instalado na Universidade.

Walter Bruch faleceu a 7.5.1990.

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