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  • Década de 60
  • No Reino do ''Directo''
  • pag10

Os complexos meandros do “directo”, com que a RTP ainda teria de viver por meia dúzia de anos mais, deram ensejo a que se revelassem algumas personalidades com especial talento para comunicar com os outros. Uma delas é, naturalmente, João Villaret que, mesmo levando em conta a experiência de palco, se assume perante o invisível auditório, postado para lá das câmaras, como um jogador de diálogos, íntimo e acolhido. Um extraordinário contador de histórias. “Eu tenho a impressão que a TV vai ser um campo de espectáculo que talvez mesmo as pessoas que estão trabalhando na Televisão ainda não se dessem bem conta. A TV vai ser sem dúvida alguma o grande espectáculo do futuro e não posso dizer até que ponto pode ter um plano cultural de divertimento e humanismo. Contra os ‘botas de elástico’ que sempre acham mal isto, aquilo e aqueloutro, dentro de quatro anos, não só em Portugal, mas em todo o Mundo, a Televisão terá uma projecção e um poder de agrado que nós próprios não podemos imaginar.”17 João Villaret profetizava, mas sabemos como o seu futuro falhou o encontro com a espectacular evolução dos media a que dedicara palavras de tanto respeito. Os espectadores já se tinham encontrado com ele, meses atrás (Dezembro de 1957) vendo-o senhor de três vidas na peça de Pedro Bloch, “Esta Noite Choveu Prata”, numa realização de Herlânder Peyroteo. Mas agora tinham-no, regularmente, nas noites de domingo, a falar com o coração, do teatro, da música, da poesia – sobretudo a declamar poesia e tanto esta lhe deve pela divulgação que lhe deu – dissolvendo nos fluídos da conversa umas tantas coisas mais, com propósito. Fernando Frazão realizou, quase sempre; Francisco Mata preparou os textos (algumas vezes, Nelson de Barros) devidamente “embuchados” pelo actor e sublinhados, ao piano, por seu irmão Carlos. Há quem considere que João Villaret procurava no estúdio o ânimo que lhe começava a faltar para subir ao palco Minava-o já a doença fatal, dava-se conta de não mais lhe ser possível recolher o calor dos aplausos de tantas e tantas que foram as suas plateias, mas certo é que ali tinha, no seu novo refugio tecnológico, bem frente à luzinha vermelha da câmara, a possibilidade de comunicar, instantaneamente, com milhares de pessoas. Um auditório antes impensável. Para um grande actor, que não estava longe de se despedir da vida, isso deve ter sido extremamente gratificante. O Arquivo Audiovisual da RTP guarda, felizmente, intactos, 19 programas de João Villaret, gravados de origem em filme de 16 mm. Uma preciosidade que, periodicamente, revisitamos.

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João Villaret

João Villaret

João Villaret - um notável desempenho em "Esta Noite Choveu Prata"


17 Entrevistado por Jorge Pelayo, Rádio e Televisão, 14.12.1957. João Villaret faleceu a 24.3.1961.

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