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  • Década de 60
  • Do 2º Programa à Lua e ao "Zip-Zip"
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A composição do Governo do prof. dr. Marcello Caetano deixou a Televisão sob a tutela de um homem que tinha a obrigação de a conhecer, se não bem, pelo menos razoavelmente – César Moreira Baptista. Além do mais (e o mais era o facto de ter sido Secretário Nacional da Informação, durante 10 anos) fora presidente do Conselho de Programas da RTP. É ainda nas suas anteriores funções oficiais que Moreira Baptista integra a comitiva do Presidente da República na viagem à Guiné e Cabo Verde, na primeira metade do ano e à qual a RTP deu o costumado relevo, através das reportagens dos seus enviados especiais: Vasco Hogan Teves (chefe de Redacção), Miguel Freitas da Costa (redactor), Sebastião Pinheiro e José Manuel Tudela (operadores de imagem), Alberto Paiva Nunes (operador de som) e José Sebastião Fernandes (assistente). Por essa altura, o Telejornal dispunha de dezena e meia de redactores, incluindo a chefia e a sub-chefia da Redacção (entretanto entregue a José Manuel Marques, transferido do núcleo de desporto), sendo que praticamente todos os redactores realizavam, na régie, as várias edições diárias e mesmo alguns dos programas da actualidade não diária. Nesta área continuava indispensável a presença semanal do “TV 7”, rubrica concebida para passar em revista os acontecimentos da semana (com relevância para os nacionais) e onde não se dispensavam os comentadores habituais, João Coito5 e Artur Anselmo,6 para o “ponto” dos eventos internos e externos. Um magazine de grande audiência onde também continuava a ser frequente a presença de figuras prestigiadas nas artes, literatura, ciência, técnica, etc., para um traçar de panorâmicas que entroncassem no interesse do espectador. Colaborador permanente da rubrica era o Fernando Pessa, irreverente, naquilo que melhor e mais gozo lhe dava fazer – a reportagem. Foi no “TV 7” que ensaiou os seus primeiros “bilhetes postais”, com vários destinatários, e sabemos como ele sempre guardou, dessa altura, boas recordações. Noutras rubricas específicas de actualidade, como “Em Foco”, “Crónica”,“Retrospectiva” e “Tempo Internacional” (uma produção externa de António Ruano) apresentaram-se, com dimensão adequada, os acontecimentos e os seus protagonistas, assim se procurando as achegas necessárias à sua compreensão. Grande destaque para os progressos registados no programa da conquista do Espaço, mostrando-se também por cá o melhor do que a Mundovisão transmitiu sobre o voo da “Apolo 8”, momentos históricos do Homem já à beira da Lua, precursores dos que não tardariam a chegar, definitivos. “A mais de 300 000 quilómetros da Terra, as imagens televisivas chegaram até nós com uma perfeição absoluta, criando no espírito de homens habituados a feitos extraordinários, um clima de ansiedade um tudo nada diferente de outras ocasiões, pois desta feita, e pela primeira vez no espaço sideral, essas imagens vinham do cosmo infinito, de um ponto ínfimo perdido na imensidão do Espaço, esse Espaço que o ser humano teima constantemente em descobrir, abrindo novos horizontes à fronteira do conhecimento. Nos estúdios da RTP, como no lar de qualquer espectador, os minutos de recepção e de transmissão desse programa espacial, marcaram uma nova etapa dentro das possibilidades da transmissão, dando testemunho mundial da coragem e do saber desses extraordinários homens do Espaço, que sacrificaram o calor de uma consoada (a missão decorreu entre 21 e 27.12.1968), ao isolamento total de quem busca, no presente, o caminho certo do futuro.”7

Do espaço nos chegaram, também, as imagens dos Jogos Olímpicos do México, por dois satélites de comunicações: o “Intelsat 2F3”, lançado pelos Estados Unidos em Março de 1967; e o “Intelsat 1”, mais conhecido por “Earlybird”, um pioneiro já em fim de vida útil. Da técnica, dizia-se então, que começava a perder os seus milagres e, na verdade assim era. À complexidade e ao arrojo das primeiras grandes transmissões televisivas sobre oceanos e continentes seguiam-se, agora, quando caminhava para o fim a década que tudo vira nascer, processos estabilizados de diálogo emissor-satélite-receptor que, se não estavam à beira da rotina, assim parecia.

O acontecimento desportivo que tem, no Mundo, sempre e cada vez maior número de espectadores, deu, na sua edição mexicana, um novo e convincente passo em frente no modo como a TV o pode tratar. As duas décadas que vieram depois só o confirmaram, ao ponto de hoje os Jogos serem encarados como acontecimento que já não pode viver desacompanhado da TV, pois é com ela, e só com ela, que ganha universalidade e se inscreve, em absoluto, no quadro mediático.

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Genérico de um rubrica que teve longa permanência no pequeno ecrã


5 “Ele, o jornalista, está lá, frente às câmaras, como guardião intransigente do público, da verdade, da justiça social, de uma consciencialização que vive arredia das coisas e das pessoas. As suas crónicas têm dado muita alegria e espalhado alguma esperança junto do grande público, incógnito público que muitas vezes Ver maisvive uma vida nem sempre bafejada pela justiça e pela felicidade; através da Televisão, João Coito tem focado sem relutâncias e sem subterfúgios muitas anomalias, muitos excessos, muitas irregularidades. Eis porque a sua presença na Televisão se aplaude e se deseja.” – Texto de M.D.R., Vida Mundial, crítica de TV, 3.5.1968.
 
6 Artur Anselmo reuniu em livro, precisamente intitulado Ponto Internacional (Editorial Verbo, Lisboa, 1970), alguns dos textos que, desde 1962, foram “escritos para servirem de bordão às crónicas de política internacional” que leu, quer no Telejornal quer no “TV 7”. Voltar a fechar

“Artur Anselmo defendia claramente ideias próprias do regime. A unanimidade quanto a este ponto é confirmada pelo próprio, que fala da ‘coerência das posições assumidas’ e que ainda hoje mantém. Esta ideia é reiterada pelo facto de ‘não pretender, passados vinte anos, alterar uma única linha’ aos textos contidos no Ver maislivro ‘Ponto Internacional’ (...) Um colega catedrático refere mesmo que as crónicas televisivas da Artur Anselmo, ‘embora favoráveis ao pensamento do regime, eram feitas mais por convicção do que por recado político’. Diz quem com ele trabalhou nessa altura que Artur Anselmo, embora defensor do regime, ‘não era um extremista, nem nunca foi beneficiário do Governo de então’. A mesma fonte acrescenta: ‘Tinha uma boa apresentação e uma boa postura televisiva’. Opinião radicalmente oposta é manifestada por um crítico de Televisão para quem Artur Anselmo, ‘apesar de a imagem na altura ser a preto e branco, apresentava regularmente uma tonalidade cinzenta!.” – Texto de Reinaldo Serrano, Expresso, 10.8.1991  Voltar a fechar

7 Nova Antena - revista de Televisão e Rádio, nº 10, 3.1.1969. Esta publicação resultou da fusão das revistas TV e Antena, da RTP e do Rádio Clube Português, respectivamente. À sua edição se juntou também a Rádio Renascença, tendo as 3 estações fundado a empresa “Publicações Nova Antena, Ldª.” Ver maisque ficou proprietária do título. Nova Antena iniciou a sua publicação em 1.11.1968 e teve como director, até ao nº 31, José Maria de Almeida. Depois, e até ao termo da publicação, em 16.10.1970, o director foi João Coito. Voltar a fechar

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