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E.N.: a História e a Técnica A Emissora Nacional, também conhecida como Emissora Nacional de Radiodifusão, deu origem à Radiodifusão Portuguesa. Pelo caminho, mais de 40 anos, foram vencidas etapas que procuraram chegar cada vez mais longe, procurando alcançar não apenas os territórios ultramarinos como a diáspora portuguesa no Mundo.
Quatro décadas que formaram dedicados profissionais, que destacaram reconhecidos artistas do teatro e do cinema e que promoveram uma miríade de músicos e cantores nacionais.
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E.N.: a História e a Técnica Até à constituição da Radiotelevisão Portuguesa, em 1957, era o som da rádio, e no caso o da Emissora Nacional, que despertava no imaginário dos portugueses as mais variadas sensações, que ilustrava os maiores acontecimentos mundiais, que levava uma palavra reconfortante tanto aos emigrantes espalhados “pelos quatro cantos do mundo” como à frota bacalhoeira que se aventurava nas águas geladas do Norte da Europa.
Desafios vencidos através da evolução técnica dos profissionais que procuraram diariamente levar a maiores distâncias a emissão regular em ondas médias, curtas ou em frequência modulada.
Uma Emissora Nacional repositório e participante de uma história rica em acontecimentos e detentora de um acervo tecnológico que soube preservar e legar às gerações futuras
O Núcleo Museológico da RTP e o Museu Natural da Eletricidade, em parceria, trazem a público, simultaneamente em dois locais distintos, Lisboa e Seia, objetos e imagens que fazem parte desse património cultural, histórico e tecnológico.
A exposição temporária “Emissora Nacional, a História e a Técnica”, pretende recordar o caminho percorrido pela radiodifusão em Portugal que tem, persistentemente, conseguido metamorfosear-se e vencido desafios para continuar atual face à concorrência dos novos meios de comunicação.
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DA FUNDAÇÃO À SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A 1 de agosto de 1935 iniciaram-se as emissões oficiais da EN e a 4 de Agosto de 1935 foi inaugurada solenemente, tendo por primeiro Presidente Henrique Galvão.
O legado da E.N., nesta fase inicial, foi preponderante para a história da Rádio em Portugal. Nestes primeiros anos, a Emissora Nacional acompanhou o desenvolvimento tecnológico internacional, estando mesmo na linha da frente entre congéneres europeus no que respeita, por exemplo, à gravação de emissões, introduzida em 1936.

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DA FUNDAÇÃO À SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Ao longo dos anos 20-30, face à multiplicação de emissoras por todo o mundo, a indústria radioelétrica foi encontrando novos desafios tecnológicos (procurando adequar os equipamentos às crescentes exigências do público), comerciais e políticos (progressivo controlo estatal).

Em Portugal, em 1932, coincidindo com a afirmação do Estado Novo, Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações, promoveu a constituição da Emissora Nacional, facto que condicionou fortemente a sua estrutura de funcionamento e o tipo de programação. Nesse ano, foi aberto concurso para fornecimento de uma estação emissora de onda média de 20kW, a instalar em Barcarena, prevendo-se já a aquisição de um retransmissor para o Porto e de um emissor de onda curta que teria por objetivo fazer chegar as emissões em português a todos os portugueses espalhados pelo mundo.

Em Junho de 1933, procedeu-se à organização dos serviços radioelétricos e dos estúdios da Emissora Nacional e foi declarada a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa por todos os proprietários de emissores ou recetores elétricos. Os três estúdios de gravação e a sede da Emissora foram instalados na R. do Quelhas. Aqui iniciaram-se as gravações de concertos sinfónicos de orquestra, agrupamentos musicais e palestras.

Em Abril de 1934 tiveram início as emissões experimentais, assinaladas por uma programação que procurava demarcar-se dos “programas ligeiros” das rádios privadas, assentando sobretudo na transmissão de música erudita e de mensagens didáticas e propaganda, que frequentemente lhe valeram o epíteto de “Maçadora Nacional”. Em Junho de 1934 foi constituída a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida pelo Maestro Pedro de Freitas Branco.

A 1 de agosto de 1935 iniciaram-se as emissões oficiais da EN e a 4 de Agosto de 1935 foi inaugurada solenemente, tendo por primeiro Presidente Henrique Galvão, que reformulou a sua programação para emissões musicais mais acessíveis e atraentes para o público, embora mantendo uma orientação pedagógica e cultural.

O legado da E.N., nesta fase inicial, foi preponderante para a história da Rádio em Portugal. Para isso, muito contribuíram as vozes de Áurea Rodrigues, Fernando Pessa, Mary, Maria Leonor, Pedro Moutinho, D. João da Câmara, Artur Agostinho, Jorge Alves, Fernando Mata, Igrejas Caeiro, Olavo d’Eça Leal, Nuno Fradique, Moreira da Câmara, Francisco Mata, entre outros, que marcaram, de forma indelével, o panorama radiofónico e cultural português.

Em 1936 foram criados os Jogos Florais. Em 1937 iniciou-se a “Hora da Saudade”, programa, originalmente, dedicado à frota bacalhoeira. Em 1938, Olavo d’Eça Leal estreou os ”Diálogos”. Em 1939 começou a escutar-se “Que Deseja Ouvir? “. Em 1938, existiam na Empresa as seguintes orquestras e agrupamentos: Grande Orquestra Sinfónica; Orquestra Genérica; Orquestra Popular; Orquestra de Câmara; Orquestra de Salão; Sexteto A; Sexteto B; Quarteto; Trio.

Também o Teatro teve um papel de relevo na programação da EN, iniciando-se, em 1942, com a transmissão das primeiras revistas radiofónicas e folhetins, destacando-se neste último género “As Pupilas do Senhor Reitor”. Nos anos quarenta destaca-se “Domingo Sonoro”, com uma rubrica que se tornou um fenómeno da rádio portuguesa, “O Zéquinha e Lélé”, interpretado por Vasco Santana e Irene Velez.

A história da E.N., neste período, é também o reflexo dos conflitos internacionais, sobretudo a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial. Portugal foi palco privilegiado da guerra entre a propaganda aliada e alemã, levando ao reforço da censura a todos os meios de comunicação (presente em todo o período do Estado Novo), alargada nesta fase à proibição de emissões radioamadoras.

Em Fevereiro de 1941, a direção da Emissora foi assumida por António Ferro, obedecendo ao plano de integrar a radiodifusão estatal na estratégia de propaganda. Em 1944, a EN foi colocada na dependência do Secretariado de Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI).

Nestes primeiros anos, a Emissora Nacional acompanhou o desenvolvimento tecnológico internacional, estando mesmo na linha da frente entre congéneres europeus no que respeita, por exemplo, à gravação de emissões, introduzida em 1936. A central técnica, instalação automática que acompanhava o serviço de controlo de programas de onda-média e onda curta, terá sido também pioneira na Europa. Por outro lado, fruto das exigências da radiodifusão colonial e das comunidades portuguesas, a par da posição geográfica do País e dos territórios coloniais, a E.N. aumentou a capacidade de transmissão, afirmando-se a uma escala global no contexto da época.

 

DO PÓS-GUERRA À REVOLUÇÃO

Após a Segunda Guerra Mundial, no contexto português, e no que à história da Emissora Nacional diz respeito, na linha do desenvolvimento tecnológico associado à rádio, as décadas de 50 e 60 foram marcadas pelo reforço da cobertura nacional (instalação de novos emissores regionais) e do continente americano (onde se encontrava uma parte significativa das comunidades portuguesas).
A par da estratégia de cobertura nacional, a crescente tensão no quadro colonial impôs o reforço das emissões para os territórios ultramarinos. A cobertura alargada reforçou também a centralidade da EN no mundo, cobrindo uma área que chegava aos continentes americano, asiático e africano.

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DO PÓS-GUERRA À REVOLUÇÃO

Após a Segunda Guerra Mundial ocorreu um crescimento económico sem precedentes e um desenvolvimento exponencial da investigação científica que na sua relação com a tecnologia e com a indústria enquadrou e promoveu também o sector das comunicações. Neste contexto, destaca-se a invenção do transístor, que permitiu a miniaturização dos recetores de rádio, e a diminuição muito significativa do seu custo, traduzindo-se numa autêntica democratização da rádio.  

No contexto português, e no que à história da Emissora Nacional diz respeito, na linha do desenvolvimento tecnológico associado à rádio, as décadas de 50 e 60 foram marcadas pelo reforço da cobertura nacional (instalação de novos emissores regionais) e do continente americano (onde se encontrava uma parte significativa das comunidades portuguesas). Entre 1952 e 1956 foram também estudadas as possibilidades de introdução da Frequência Modulada (FM), que entrou funcionamento em 1956, a partir dos emissores de Lisboa e da Lousã (o FM estéreo entrou em funcionamento em 1968).

A curto prazo, o maior desafio à continuidade do Estado Novo surgiu com a emergência dos movimentos de libertação em África e a consequente eclosão da guerra colonial, em 1961.

A par da estratégia de cobertura nacional, a crescente tensão no quadro colonial impôs o reforço das emissões para os territórios ultramarinos, sobretudo a partir da invasão de Goa, Damão e Diu por tropas da União Indiana. A instalação do Centro Emissor Ultramarino foi por isso acelerada, tendo sido inaugurado em Pegões, em 1954. A este emissor acrescentou-se um outro de onda curta, em 1957 e mais quatro, em 1966. Entre as estratégias de reforço da eficácia de programação, destacaram-se as emissões em inglês que tinham por objetivo a defesa da posição colonial do regime. A cobertura alargada reforçou também a centralidade da EN no mundo, cobrindo uma área que chegava aos continentes americano, asiático e africano.

No contexto da guerra colonial, a EN lançou, entre outros programas semanais: A Voz de Goa – Uma voz Portuguesa no Oriente; A Voz do Império; A Hora da saudade (passando a ser dedicada aos soldados portugueses); África Portuguesa; Serões para Soldados.

Ao longo dos anos 60, e face ao crescente número de emissoras anticolonialistas, a EN lançou programas como: A Verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala Verdade!; Atenção, Luanda!; Sala de Ultramar; Caminhos de Angola; A Hora de Moçambique; A África de Hoje.

No domínio cultural e do entretenimento, destacaram-se, entre outros: Serão para trabalhadores; Ouvindo as Estrelas (por onde passaram figuras como Amália Rodrigues, Milú, Tavares Belo e Carlos Villaret); Uma hora de fantasia; Vai começar o espetáculo; Aguarela Portuguesa; Diálogos.

Uma referência também para o facto de ter sido aos microfones da Emissora Nacional que Ida Maria fez, a partir de outubro de 1971, relatos de futebol, universo até aí totalmente masculino.

Embora a inauguração dos serviços da RTP, em 1957, tenha interferido com o protagonismo que até então se oferecia exclusivamente à rádio, a capacidade da Emissora Nacional em matéria de mobilização de recursos técnicos e humanos manteve a sua importância na cobertura de eventos e na captação de audiências, sendo economicamente mais acessível para o público em geral.

A REVOLUÇÃO E A RÁDIO PÚBLICA

O 25 de Abril de 1974 operou ruturas profundas na sociedade portuguesa, desde logo refletidas na vida da Emissora Nacional. Os meses seguintes corresponderam a um período de rutura mudando para sempre a rádio pública. A mudança de regime e a abolição da censura permitiu a audição, na antena musical da rádio pública, de muitas personalidades ligadas ao mundo da música, anteriormente banidas.
A tensão política própria do processo revolucionário fez-se sentir também na Emissora Nacional e nos restantes media, culminando, em dezembro de 1975, na estatização dos meios de comunicação social e consequentemente na nacionalização da rádio. Nesse contexto, a 23 de fevereiro de 1976, a designação da empresa estatal de radiodifusão mudou para Radiodifusão Portuguesa, Empresa Pública (RDP, EP).

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A REVOLUÇÃO E A RÁDIO PÚBLICA

O 25 de Abril de 1974 operou ruturas profundas na sociedade portuguesa, desde logo refletidas na vida da Emissora Nacional. Na madrugada da revolução, a EN foi ocupada pelo Movimento das Forças Armadas mas não foi utilizada para transmitir os primeiros sinais musicais que confirmaram o avanço das operações, cuja emissão partiu da Rádio Alfabeta, nem no primeiro comunicado oficial do MFA, que foi lido por Joaquim Furtado a partir do RCP, entretanto ocupado. O recurso a uma emissora alternativa à EN permitia evitar possíveis equívocos quanto à natureza política da revolução. Tal não impediu que ao longo do dia 25, tivessem sido lidos dois novos comunicados do MFA a partir da Emissora Nacional.

Os meses seguintes corresponderam a um período de rutura mudando para sempre a rádio pública. Foram alteradas as lógicas de produção, particularmente na programação musical e na informação, e apesar da enorme instabilidade mudaram as lógicas de relação com o novo poder político (mesmo tendo em conta o interesse que este manteve na rádio e nos media em geral) e também as regras de funcionamento interno.

A mudança de regime e a abolição da censura permitiu a audição, na antena musical da rádio pública, de muitas personalidades ligadas ao mundo da música, anteriormente banidas: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, José Duarte (divulgador radiofónico de Jazz), Luís Cília, Fausto, Sérgio Godinho, Manuel Freire, Francisco Fanhais, entre tantos outros. Ficaram famosas na época as sessões de “Canto Livre” transmitidas pela EN a partir do teatro são Luís. Em contrapartida assistiu-se à exclusão de géneros musicais conotados com o regime deposto, nomeadamente o designado “nacional-cançonetismo” (estilo de canção ligeira muito tocada na Emissora) e também o fado.

A tensão política própria do processo revolucionário fez-se sentir também na Emissora Nacional e nos restantes media, culminando, em dezembro de 1975, na estatização dos meios de comunicação social e consequentemente na nacionalização da rádio. Ainda em 1975, a cobrança de taxas de radiofusão foi também eliminada.

Finalmente, no contexto referido, o Decreto-Lei nº 153, de 23 de fevereiro de 1976, mudou a designação da empresa estatal de radiodifusão para Radiodifusão Portuguesa, Empresa Pública (RDP, EP), grupo que reunia a ainda designada Emissora Nacional, o RCP, os Emissores Associados de Lisboa, a J. Ferreira & Cª Lda, a Sociedade Portuguesa de Radio Difusão, a Alfabeta Rádio e Publicidade e ainda os postos emissores e retransmissores do Clube Radiofónico de Portugal, Rádio Graça, Rádio Peninsular e Rádio Voz de Lisboa. De fora do processo ficaram a Rádio Altitude, a Rádio Pólo Norte e a Rádio Renascença.