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Discute-se hoje, por toda a parte, a autonomia, a independência ou o pluralismo das estações de televisão. Tanto das públicas, tuteladas pelo poder político, como das privadas, dependentes do poder económico dos proprietários e da publicidade. Mas não se duvida de que alguma dependência exista, tanto num caso como noutro. A discussão é sobre a compatibilidade entre essas dependências e outros valores, como os da autonomia, da criatividade, da crítica e do pluralismo. A discussão é interminável e o debate permanente pode contribuir para se melhorar o serviço que as televisões prestam aos cidadãos.

A televisão é, por excelência, a comunicação da sociedade de consumo, da política igualitária, da cultura de massas, do “nivelamento” cultural e da homogeneização social e cultural. O que não quer dizer que os regimes autoritários não tenham utilizado intensamente (não utilizem ainda...) a televisão. Estes últimos, de comum com os regimes democráticos, têm os factores de homogeneização e da cultura de massas. Os novos tempos que se avizinham e que prometem, por via da tecnologia, novos modelos e novas faculdades ilimitadas, poderão mudar os dados actuais do problema. Mas ainda é cedo. Por enquanto, sabe-se que a televisão “aristocrática”, de grande qualidade, do património cultural, das vanguardas artísticas e culturais, é uma televisão socialmente desigual. Mas, do ponto de vista dos padrões estéticos e culturais, seguramente “melhor” do que a televisão de massas. Esta televisão, que correspondia aos sonhos iniciais de “elevar os padrões culturais dos cidadãos”, deu lugar a uma televisão de massas, certamente mais “democrática”. Com mercado, concorrência e publicidade, a televisão de “alta qualidade” está praticamente condenada. Só a televisão digital ou por cabo e todas as suas potencialidades poderão salvar ou ressuscitar uma televisão de qualidade. A resolução desta contradição, entre democracia e cultura, não se anuncia para breve. Nem em Portugal, nem no resto do mundo.

 

António Barreto

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