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  • Década de 90
  • Entre a mudança e a reestruturação
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Para substituir a telenovela “Fera Ferida” – já se referiu ter sido a última da produtora Globo a ser exibida pela RTP – o CN 1 programou “74.5 – Uma Onda no Ar”, que também provinha do Brasil, mas com a chancela de Daniel Filho (um nome para a história da telenovelística) e da empresa independente que então liderava – a TV Plus Produções. Era uma história que mostrava como uma estação de rádio podia influenciar a vida dos habitantes de uma comunidade fixada junto ao mar, num local paradisíaco (a realização tirava bom partido do facto). Isis de Oliveira e Raul Cazolla, 2 dos intérpretes principais, estiveram em Lisboa, por ocasião do lançamento de “74.5”, que a RTP promoveu para os seus colegas da Informação. Entretanto, já passava, também no CN 1, ao princípio da tarde, uma outra telenovela, “A Traidora”, que embora de origem mexicana, tinha como cenário natural a selva amazónica. Era extensa, 180 episódios, mas não tanto como “Malha de Intrigas”, que tinha 240 e era uma “soap opera” como só os norte-americanos sabem fazer. Dava do mundo da moda uma caricatura muito agressiva e houve quem considerasse que estaria à beira de ser, também ela, um produto da família da telenovela. Mas era isso mesmo: ficava à beira de ser. A resposta da produção nacional foi dada com “Desencontros”, que a NBP produziu para a RTP sob argumento de Francisco Moita Flores e Luís Filipe Costa – uma história de fundo policial, com muita acção, baseada em factos que realmente ocorreram (15 anos atrás) e que foram reconduzidos para a década que se vivia. Na realização dos 130 episódios estiveram Álvaro Fugulin (interiores) e Jorge Paixão da Costa (exteriores). Entre um lote de bons intérpretes, lembram-se Henriqueta Maia (estreia em telenovela), António Rama, Florbela Queirós, Henrique Viana, Rita Alagão, Luís Esparteiro, Vítor Norte, Isabel Medina, Mário Pereira, Susana Borges, Canto e Castro e Isabel de Castro. “Desencontros”, a que Jorge Leitão Ramos se referia na sua crónica “Quinto Canal”11 dizendo ser “por certo o maior investimento da RTP em termos de ficção nos últimos tempos” e acrescentando: “trata-se, convém dizê-lo, da melhor telenovela algum dia produzida em Portugal, mérito de uma intriga bem urdida, destramente dialogada e intrinsecamente portuguesa (aqueles personagens somos nós ou são-nos vizinhos, não são entidades abstractas e sem contexto), de actores que funcionam, de uma produção correcta. Trata-se de um estimável produto do género (mesmo se o género não o é inteiramente), sem desvantagens notórias face a produtos similares sul-americanos.” Estranhava o crítico – como, aliás, milhares de espectadores – que um trabalho com tais atributos não estivesse a ser programado no “prime-time”. O caso mereceu atenção e logo se resolveu com a passagem de “Desencontros” para depois do Telejornal. E assim ficou muito melhor. Um novo produto brasileiro, originário da Rede Manchete, foi ocupar o anterior horário da telenovela portuguesa. Chamava-se “Corpo Santo” e procurava ser um retrato de uma certa sociedade carioca contemporânea, enredada em problemas sociais (e sentimentais) geradores de situações violentas. Ao convívio com os espectadores regressavam 4 nomes-símbolo da melhor telenovela: Reginaldo Faria, Cristiane Torloni, José Wilker e Maité Proença. Quem permanece igualmente ligado a este género de trabalho televisivo é Betty Faria, e se por cá já se tinham visto alguns – e bons – o regresso marcou-o ela com “A Idade da Loba”, contratado pela RTP à produtora brasileira Focus e que vinha assinado pela mesmo realizador de “Pantanal” – Jayme Manjardim. Betty, Adriano Reys e Beth Goulart (os protagonistas) estiveram em Portugal a promover a telenovela, o que fizeram no cenário idílico de Sintra, perante a imprensa e convidados da RTP.

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"Desencontros" - Vítor Norte e António Montez

"Desencontros" - Ricardo Carriço


11 Expresso, 22.4.1995.

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