voltar à homepage do site
separadorseparadorseparadorseparadorseparador
 

Início  |  Fimseparador< anterior - Pag.12 / 20 - próxima >separadorir para a pag. 


  • Década de 80
  • Grandes projectos, novos desafios
  • pag12

Se nunca a RTP teve oportunidade de organizar um Concurso Eurovisão da Canção (nem terá, estamos em crer, a menos que seja alterado o sistema que atribui a realização a organismos dos países que o vão vencendo), já no que respeita ao Festival OTI da Canção as coisas não se têm passado assim, embora seja sempre concedido ao país vencedor num ano o privilégio de organizar o certame no ano seguinte. Mas porque se têm registado muitas impossibilidades ou recusas, o Festival da OTI (que está para os países da Organização de Televisão Ibero-Americana como o Eurofestival para os países da Eurovisão) tem sido realizado mesmo por quem nunca o venceu. Caso da RTP que, em 1987, assumiu a responsabilidade de organizar a 16ª edição do concurso, emitindo-a a partir do Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa, para uma plateia (potencial) de 600 milhões de espectadores nas três Américas, Espanha e Portugal. Durante uma semana decorreram preparativos e ensaios (e umas quantas manifestações sociais), sob coordenação de equipas de trabalho da RTP, que tiveram de acorrer às múltiplas frentes de um espectáculo que foi “para o ar” na noite de 24 de Outubro e no qual estiveram representados 24 organismos de Televisão de outros tantos países. À frente de um belo cenário de António Alfredo, uma orquestra de 40 músicos, dirigida pelo maestro Correia Martins, acompanhou, ao vivo, todos os intérpretes, Theresa Maiuko entre eles, pela RTP, com “Não me Tirem este Mar”, letra de José Jorge Letria, música de Carlos Mendes.39 Dois dos apresentadores da RTP mais rotinados neste género de espectáculos, Ana Zanatti e Eládio Clímaco, não deixaram que a festa perdesse o tom de festa, para o que também lá estava, ainda mais atento do que eles, o realizador Luís Andrade, bem escudado nos produtores António Andrade e Piedade Maio e numa equipa técnica chefiada por Arroz Reis. Apontamentos de bailado (a cargo da Companhia Nacional, dirigida por Armando Jorge) foram intercalados entre blocos de canções, proporcionando uma movimentada retrospectiva da música ligeira do século XX, enquadrada em cenários naturais de Lisboa e Sintra. Sobre o fim do programa, antes da proclamação da canção vencedora, um quadro musical, “Quatro Poetas e uma Guitarra”, com Paco Bandeira a dizer Pablo Neruda; Lara Li, Vinicius de Moraes; Teresa Tarouca, Camões; e Janita Salomé, Garcia Lorca. Que melhor homenagem da RTP aos milhões de espectadores latino-americanos que seguiram o espectáculo-festivaleiro? Depois se soube que todos os países que, nessa noite, estiveram ligados, em directo, com o Teatro Municipal de São Luiz (e não apenas os seus representantes, que, de perto, acompanharam o desenrolar do Festival, dos bastidores ao palco), consideraram impecável a organização e louvaram o nível atingido pelo programa televisivo que acabou por consagrar uma canção venezuelana, assim se expressando o sentido da votação de um júri de sala, presidido por Amália Rodrigues: “La Felicidad Esta en un Rincon de Tu Corazon”, de Luis Tovar (letra) e Arnoldo Nali (música), interpretada por Alfredo Alejandro.40

Entre Teresa Maiuko e o júri do 16º Festival da OTI houve um evidente desencontro. Não lhe bastou defender, bem, uma boa canção, nem dar as mostras de presença e capacidade de interpretação que deu. Até os prováveis dividendos do facto de “jogar em casa” ficaram por contabilizar. E assim se confirmou, uma vez mais, o fraco acolhimento que os nossos artistas (e os nossos autores) merecem nos confrontos internacionais de cantigas. O que nunca constituirá, certamente, motivo bastante para que a RTP deixe de aproveitar ao máximo essas possibilidades de contacto e de amostragem. Em espaços próprios de programação, os artistas nacionais continuaram a poder mostrar-se e exprimir-se. Talvez não tão frequentemente como o desejariam, mas (não se enjeite o exame de consciência), as culpas não cabiam só à RTP. Numas quantas “Noites de Gala”, que João Maria Tudela idealizou e apresentou desde o Casino Estoril, passaram muitos desses artistas e também lá estiveram, como convidadas, algumas figuras públicas que preencheram momentos de diálogo que foram, aliás, a face menos conseguida do programa de Tudela. “Deixem Passar a Música”, “Música é…” e “Som da Casa” foram rubricas abertas a expressões musicais nossas, enquanto “Clipomanias” (com Marcos André) e “Seja Bemvideo” (com João Carlos Pereira) revelavam o que de melhor chegava de fora, assim aproveitando a apetência pelos telediscos manifestada por espectadores mais jovens.

menu de artigos

Pela 1ª vez em Portugal um grande concurso internacional da canção: o Festival da OTI - Organização de Televisão Ibero-Americana

Ana Zanatti e Eládio Clímaco na apresentação do Festival da OTI

Teresa Maiuko representou a RTP no 16º Festival OTI da Canção

"Noites de Gala" - Raúl Indwipo e os Irmãos Verdades

"Deixem Passar a Música" - Paulo de Carvalho


39 Até então, a RTP falhara 6 Festivais da OTI. As últimas presenças, após o 2º lugar de Adelaide Ferreira (1984), foram as de Jorge Fernando e Pedro.

40 A Venezuela ganhava pela segunda vez um Festival da OTI. A primeira fora 5 anos antes, no Peru.

Do júri (que atribuiu o segundo lugar ao Equador e o terceiro, “ex-aequo” ao México e a Espanha) fizeram ainda parte Raúl Solnado, Silvia Pinal (México), Massiel (Espanha), Betty Missiego (Peru), Gerardo César Casé (Brasil), Olga Guillot (Estados Unidos), Mirla Castellanos (Venezuela) e Jairo (Argentina).

diminuir letra aumentar letra Imprimir Enviar

< anterior | próxima >

Footer