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  • Década de 60
  • Do 2º Programa à Lua e ao "Zip-Zip"
  • pag14

Mas 1969 é, também, o ano em que assomam ao pequeno ecrã quatro caras novas: Vitorino Nemésio, para o “Se Bem Me Lembro”, um programa de muitas e variadas conversas por um apaixonado da palavra e da memória, para quem a TV, que mais do que a literatura, o popularizou, parecia um hábito e, no entanto, ele estreava-se; Luís Francisco Rebelo, para um “Panorama do Teatro Português”,29 ou seja um especialista a falar de obras que fundamentam a arte cénica doméstica e, sobretudo, fazendo questão de mostrá-las; Joaquim Manuel Magalhães para “Os Homens, os Livros e as Coisas”, razões de literatura explicadas a eventuais leitores, sem esquecer quem cria e a atmosfera em que o faz (um programa que voltaria, em 1976, embora com outro perfil); e Eduíno de Jesus para apresentar um quinzenário da actualidade literária, “Convergência”, onde dá voz aos escritores, sendo que um deles (Fernanda Botelho, que até já passara pelas equipas de realização da RTP) é a cronista de serviço ao programa de forte pendor intelectual. Já com David Mourão-Ferreira, o que se passa é o regresso ao estúdio bem conhecido – e que lembranças dele, desde o “directo”... David está de volta para dar as suas “Imagens da Poesia Europeia”, no que vai ser um novo diálogo com quem está do outro lado, predisposto, talvez, a reflectir um pouco sobre as palavras de um também poeta que sabe até onde deve levar a erudição.

“Horizonte”, o programa mensal de Baptista Rosa, continuou a ser referência televisiva, não só pelos temas que tratava mas, principalmente, pelo modo como os tratava. E o exemplo mais acabado do que se afirma está no pequeno filme “O Forcado”, incluído numa das edições deste magazine, e no qual Augusto Cabrita foi uma vez mais mágico com a sua câmara. Imagens de fervente beleza a realçar a bravura dos protagonistas, uso da câmara lenta conveniente à montagem ritmada do perito Baptista Rosa e um apontamento de texto de Manuel Trindade (pseudónimo que já vimos ser, em outra altura de vida, o de Baptista-Bastos). Mais produto doméstico, este do género variedades-musicais, foi “Tele-Ritmo”, atracções nacionais (por lá passou um Carlos Paredes inesquecível ) e internacionais (Dalida, Rita Zarai), confiado a dois especialistas: Melo Pereira (chefe de produção) e Luís Andrade (realizador). “Riso e Ritmo” prosseguiu, porém com alguma irregularidade – na qualidade como no horário – e, no restante, lembranças para “TV Clube”, “Estúdio C” e “Fados”. Curioso foi verificar como a “influência Zip-Zipiana” começou a fazer-se sentir onde o território era mais propício. Um crítico, Luís Romano,30 lembrava que “ao ‘Zip-Zip’ se ficará a dever a divulgação do gosto pela música sem tremidinhos de garganta, sem desgraças fadistas. A balada tomou de assalto a nossa juventude. A qualidade esteve presente no pequeno ecrã em algumas ocasiões. Foi bom assistir ao nascimento desse movimento, pese embora todas as concessões feitas aqui e ali para com os outros géneros musicais.”

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"Panorama do Teatro Português"

David Mourão-Ferreira


29 Segundo o autor, pretende-se “demonstrar, através de exemplos vivos, que o Teatro Português existe, é uma realidade, e que não temos o direito de ignorá-lo; ora, a única maneira aceitável de falar de Teatro, se o não quisermos limitar a um género literário, é demonstrá-lo, dá-lo a ver aos Ver maisseus destinatários. Iremos, pois, evocar os marcos fundamentais da história do nosso Teatro” (Nova Antena, revista de Televisão e Rádio, nº 48, 26.9.1969). O primeiro programa da série recebeu o título “O Teatro antes de Gil Vicente”, com música de António Vitorino de Almeida e realização de Herlânder Peyroteo. Voltar a fechar

O “Panorama do Teatro Português” assinalou, também, o regresso à RTP, como colaborador, do realizador Artur Ramos, que tinha sido exonerado da empresa em Julho de 1961. Passou igualmente a ser responsável pela selecção e apresentação de uma rubrica denominada “Festival”, onde se incluíam programas dramáticos dos melhores que se Ver maisproduziam para TV. A estreia ocorreu com o “Festival ORTF - Televisão Francesa”. Voltar a fechar

Na entrevista que concedeu ao programa “Carlos Cruz - 4ª feira”, RTP-2. 9.10.1991, Ramiro Valadão lembrou que o prof. dr. Marcello Caetano lhe pedira para que chamasse duas pessoas para colaborarem na Televisão. “Quer dizer os nomes?” - perguntou Carlos Cruz. Valadão quis e respondeu: “O Artur Ramos e o Ver maisLuís Francisco Rebelo”. Carlos Cruz, de novo: “E o sr. dr. aceitou essa sugestão do prof. dr. Marcello Caetano?”. Valadão: “Aceitei”. Voltar a fechar

30 Diário Popular, 31.12.1969, “1969-Um Ano de TV”

 

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