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  • Década de 60
  • Do 2º Programa à Lua e ao "Zip-Zip"
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A Informação que, em 1969, e não considerando o desporto, emitiu 421 h. de programas (total do ano: 3 166 h. 35 m.), indo o destaque, naturalmente, para o Telejornal que se viu enriquecido – e já era tempo que isso sucedesse! – com o serviço de troca de notícias da Eurovisão (conhecido sob a sigla EVN) que é, nem mais, uma bolsa informativa constituída no âmbito da UER e para a qual convergem com as suas contribuições (na forma de reportagem-actualidade) os organismos membros activos e associados, incluindo agências noticiosas especializadas. Quer isto dizer que, a partir da segunda quinzena de Junho,27 o Telejornal passou a dispor das imagens precisas para dar o indispensável suporte visual aos acontecimentos do dia-a-dia no estrangeiro com maior actualidade e melhor teor documental. Até aí, essa “ilustração” dependia dos filmes enviados pelas agências e que se recebiam por via área; ou, na sua ausência, por imagens fixas, geralmente telefotos, para o que a Redacção dispunha de equipamento de recepção apropriado. Com a troca diária de notícias via Eurovisão ao seu alcance, o Telejornal da RTP conseguiu um considerável ganho de tempo em relação aos acontecimentos. As imagens recebidas a determinadas horas do dia (precedidas de uma conferência telefónica com o coordenador UER, em Genebra) eram gravadas em vídeo e neste trabalhadas para emissão. Acontecimentos no cenário europeu tinham imagens certas no próprio dia em que ocorriam. Algumas vezes, também as enviadas do continente americano chegavam a boas horas, após serem recepcionadas em Londres e só depois injectadas na rede da Eurovisão. Com a abertura de uma delegação da UER em Nova Iorque obtiveram-se ainda melhores resultados. O material proveniente da troca de notícias tornou-se pois, um elemento imprescindível nos alinhamentos do Telejornal. E, graças à presença da nossa Televisão nesse serviço da Eurovisão, passou a RTP a ter novas possibilidades de colocar extra-fronteiras assuntos que, embora de âmbito nacional, podiam merecer a atenção dos serviços noticiosos das suas congéneres estrangeiras. Bom exemplo dessas possibilidades foi o facto de, no ano de 1969, a RTP ter enviado para a rede da Eurovisão (para visionamento de milhões de espectadores de, praticamente, todos os países que a integravam) quase tantos assuntos-imagens como os que, nos 5 anos anteriores, foram, por métodos menos rápidos e precisos, divulgados no estrangeiro.

Edições normais e especiais do Telejornal (bem como largos espaços em rubricas de informação não diária, como “TV 7” e “Em Foco”) dedicaram especial atenção à primeira visita de um chefe do Governo Português ao Ultramar (Guiné, Angola e Moçambique), trabalho de que se ocupou uma equipa de enviados especiais constituída por: Carlos de Melo, subchefe da Redacção; Adriano Cerqueira, redactor; José Manuel Tudela e Sebastião Pinheiro, operadores de imagem; João Lourenço, operador de som; e João Mendes, assistente. João Terramoto, correspondente da RTP em Moçambique,28 colaborou, também, nas reportagens. Uma outra equipa da RTP, com o realizador José Elyseu e o operador de câmara Silva Campos, produziu alguns serviços especiais ainda relacionados com a presença do prof. dr. Marcello Caetano em África. Mais tarde, uma nova visita do Presidente do Conselho, dessa feita ao Brasil, foi reportada por novos enviados especiais: Horácio Caio, redactor-chefe; António Ribeiro Soares, redactor; Henrique Mendes, locutor; Pozal Domingues, Artur Moura e João Rocha, operadores de imagem; João Lourenço, operador de som; e Sebastião Fernandes, assistente.

Por ocasião das eleições para deputados à Assembleia Nacional, em Outubro, a RTP projectou e consolidou uma transmissão que fez frequentes apelos a intervenções em directo (efectuadas a partir de um centro coordenador de operações, instalado na sala de redacção da secretaria de Estado da Informação e Turismo) e a sucessivas conexões Lumiar - exterior - Lumiar. Houve, ainda, que desdobrar a Redacção do Telejornal para que se desempenhasse das missões confiadas nas duas frentes. Também equipas de reportagem actuaram em todas as capitais de distrito do Continente, de modo a que o espectador interessado pudesse seguir o acto eleitoral.

Pela primeira vez, e com regularidade, começaram a ser utilizadas locutoras na apresentação do Telejornal. Já algumas vezes se havia recorrido a vozes femininas para leituras “off” mas, raríssimas vezes, para intervenções “in”. E embora os locutores mais antigos, e experimentados, continuassem a ser as presenças mais frequentes para a leitura das notícias, registe-se que dois novos começaram a ser chamados a intervir nessa área: Raúl Durão e José Côrte-Real.

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27 Tinha havido um curto período experimental, em Maio, e, curiosamente, uma vez mais, a Rainha Isabel II esteve no caminho da RTP. É que o pretexto para essa experiência foi a visita à Áustria da soberana do Reino Unido. Dos 17 temas de actualidade, então recebidos, 14 foram transmitidos Ver maisno Telejornal; 2 foram censurados; e 1 rejeitado por má qualidade. A adesão, que já vinha sendo preparada há meses, formalizou-se após uma reunião, em Lisboa, de quadros da RTP com elementos da UER (do secretariado administrativo e do centro técnico), TVE - Televisão Espanhola e CTT de Portugal e de Espanha. A RTP passou assim a integrar, de pleno direito, o Grupo de Estudo das Actualidades Televisivas, tendo o chefe da Divisão de Programas de Informação e Actualidades sido designado para representar a empresa nas suas reuniões periódicas. Já compareceu à de Viena, em Setembro, onde a RTP foi eleita para um subgrupo, restrito, que se ocupava de problemas que visavam o desenvolvimento futuro dessa área. Voltar a fechar

28 Cerca de 3 meses mais tarde, João Terramoto morria em Lourenço Marques. Filmava para a RTP o circuito automóvel da cidade quando foi atropelado por um dos carros em prova. Perdeu a vida, instantaneamente, esse bravo repórter de 42 anos que, no início da década de 60 se fixara Ver maisem Moçambique, começando então a trabalhar para a RTP como correspondente. Com as suas máquinas e o seu talento impressionou largas centenas de reportagens e uma dezena de documentários que ficaram como prova material de uma invulgar capacidade de relatar, de acorrer à notícia, onde quer que ela estivesse, ainda que longe, no vasto território. Aprendeu sempre por si muitas coisas, pelo menos tudo o que lhe fazia falta para cumprir com dignidade uma vida de actividades repartidas pelo seu primeiro amor, a Rádio, e pelo último, a Televisão. Agarrado à sua pequena câmara filmou a aproximação da própria morte. Num segundo, um vórtice de imagens, logo um despropositado clarão, a seguir o negro absoluto. Depois, naquela bobine inacabada, depois – o silêncio. Voltar a fechar

Augusto dos Santos, que já trabalhava com João Terramoto, deu continuidade ao serviço de correspondente em Moçambique, ainda que, entretanto, a Administração da RTP tenha nomeado um delegado para o território – o antigo chefe dos Serviços de Produção (RTP - anos 50), dr. Domingos de Mascarenhas.

Aproveita-se para referir que a RTP tinha como correspondente na Guiné um antigo técnico de som do cinema português, Sousa Santos; e que nos restantes territórios de África, Macau e Timor essa missão estava confiada aos Centros de Informação e Turismo. Em Timor, a RTP chegou a contar com a Ver maiscolaboração de Ramos-Horta, “Nobel” muitos anos depois. Em Benguela-Lobito (Angola) o correspondente era um profissional de cine-fotografia, Luís de Camões. Ainda em Angola, algumas vezes se contou com o trabalho dos cineastas João Silva e António de Sousa. Voltar a fechar

Na Madeira, o correspondente era Carlos Spínola e, nos Açores, apenas duas ilhas se podiam considerar “cobertas”: S. Miguel, por Silveira Paiva e Santa Maria, por Monteiro Ferreira. Mas o volume de trabalho, se no caso da Madeira ainda vinha tendo algum significado, quanto aos Açores era francamente diminuto.

No estrangeiro, a RTP podia contar com a colaboração de José Augusto, em Paris; Milton Moniz, em Nova Iorque, junto das Nações Unidas; César Faustino, nos países escandinavos; e Matos e Lemos e António Reis, em Roma e no Vaticano. Os serviços que enviavam eram muito irregulares e, como tinham Ver maisque envolver a contratação de equipas para filmagens, quase sempre muito onerosos. Caso diferente era o do Brasil, onde, primeiro, com Ruben Viegas; mais tarde, com José Manuel Coelho e Reinaldo Varela; e, depois, só com este último (que fora operador de imagem da RTP, em Lisboa, durante alguns anos, devendo-se-lhe alguns bons trabalhos, como o acompanhamento regular da construção da ponte sobre o Tejo e algumas reportagens de guerra, no Congo), se conseguiu um “escritório-RTP” no Rio de Janeiro, da maior utilidade e que se tornou extremamente produtivo, não só para a Informação como para a área de programas culturais, que abasteceu de documentários. Chegou a produzir rúbricas periódicas de interesse para a comunidade luso-brasileira. Como “Presença do Brasil”, que foi a primeira. Voltar a fechar

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