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  • Década de 50
  • TV EM PORTUGAL: o estudo e a legislação
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Nunes dos Santos, como os estudantes de engenharia que haviam exultado com as experiências de Nipkow, como, também, alguns outros radioamadores ou até simples curiosos das coisas da rádio – que, no nosso país, entrava, então, em franco incremento – não ignoravam, todos eles, que a Televisão era uma extraordinária conquista, cuja expansão a 2ª Guerra Mundial retardou, de modo sensível, especialmente na Europa. Porém, logo após o termo do conflito o novo “mass media” explode: num rompante, dita perspectivas sociológicas que não podem ser ignoradas; as técnicas de que se vai servindo transmutam-se com impressionante frequência; e a indústria televisiva (de que a produção de programas não é, de modo algum, o sector menos importante) faz entrada, competitiva, nos mercados mundiais. É a fase dita da “prosperidade televisiva” que, emanada dos Estados Unidos, se expande com incrível rapidez pelo resto do Mundo, inclusive a países onde a guerra recente deixara marcas profundas. Na Europa de 50 quem ainda não tem Televisão, pensa nela. Há, naturalmente, os mais expeditos na concretização dos projectos que, não é difícil perceber, todos têm – por si ou com o “amparo” de solícitas multinacionais. E, há, ainda, os que se retraem por razões de ordem económica ou política – ou por ambas. Dois países por onde a guerra não passou, Portugal e Espanha (embora, nesta, continuassem, visíveis, as sequelas do embate fratricida), deixam-se ficar, curiosamente, para o fim.

Mas não se pense que, ao menos por cá, não se ia fazendo aquilo que era possível. Fazia-se, sim, correndo tudo por conta de um Grupo de Estudos de Televisão, criado no âmbito do Gabinete de Estudos e Ensaios da Emissora Nacional de Radiodifusão. Em 1953, o Grupo iniciou trabalhos preliminares para a instalação de uma rede distribuidora de sinal TV, beneficiando mesmo de um reforço orçamental da ordem dos 500 mil escudos. Um despacho ministerial, exarado na oportunidade, é que pouco tinha de encorajador. Veja-se: “O Governo continua a considerar prematuro tomar posição quanto ao problema, pelo que a atitude da Emissora não deve, por enquanto, desviar-se da linha até agora adaptada; isto é, não deve ir além do estudo do problema, acompanhando a sua evolução e sem ter como perspectiva a instalação e exploração do serviço, visto que nada está ainda definido a tal respeito e o Governo não dispõe dos elementos necessários para marcar, desde já, uma orientação definitiva.”4

Uma empresa privada, com elevado capital estrangeiro, havia, entretanto, apresentado uma proposta para a montagem da rede de TV no nosso país, mas determinadas exigências de base – a mais significativa das quais seria a detenção do exclusivo da venda de televisores por determinado tempo – foram consideradas impeditivas. E se aqui se lembra o facto é com o propósito de deixar claro que a haver, como houve, a agitação de bastidores que sempre rodeia novas empresas, também, na circunstância, terá funcionado um certo efeito estimulador. Temos um outro exemplo: em 1952, na Ordem dos Engenheiros, alguns especialistas em telecomunicações projectaram um ciclo de palestras sobre Televisão. A iniciativa, embora não tenha chegado a concretizar-se, teve o mérito de mostrar que os profissionais estavam atentos à problemática. Uma atenção que, afinal, já vinha de longe – como se referiu – mas que, em, 1946, teve valiosa achega, dada por Francisco Bordalo Machado,5 “um jovem engenheiro do corpo técnico da Emissora Nacional que, atraído pela nova modalidade da radiodifusão, apresentou um trabalho para o seu concurso de promoção a engenheiro de 1ª classe, a que deu o título ‘Televisão - Estado Actual e Possibilidades de Instalação em Portugal’. Foi este o primeiro passo, decisivo, para o estabelecimento da Televisão no nosso país, porque, desde então não mais se deixou, na Emissora, de pensar no assunto (...)

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4 Ministro da Presidência, prof. dr. Costa Leite (Lumbralles), 9.11.1953..

5 B. Machado não fazia parte do grupo dos engenheiros de Lisboa. Formara-se pela Faculdade de Engenharia do Porto nas especialidades de Electrotecnia e Mecânica. No ano em que se licenciou (1936) ingressou na Emissora Nacional, sendo-lhe confiada a chefia do Gabinete de Estudos e Ensaios. Conhecia os sistemas de Ver maisTV americano e alemão, pois efectuara várias visitas de trabalho aos Estados Unido e estagiara na Siemens. Em 1956 foi ocupar o cargo de chefe dos Serviços Técnicos da RTP. Mais tarde, e até Abril de 1974, foi director dos Serviços Técnicos de Engenharia da empresa que, por várias vezes, representou junto da Comissão Técnica da UER – União Europeia de Radiodifusão. Voltar a fechar

Bordalo Machado faleceu a 3.8.1996.

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